O esquematismo matemático concebe a matéria como algo descontínuo (átomos e corpúsculos isolados), em contradição com a representação contínua (luz), gerando um impasse, enquanto a doutrina tradicional da matéria a vê como procedente da materia prima por diferenciação sucessiva, através da ação do espírito criador.
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A materia prima, indiferenciada, está na base de todas as condições, e a matéria do mundo corpóreo (materia signata quantitate) é o que ainda não foi plasmado, indefinível.
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O mundo discernível desenvolve-se entre dois polos que escapam ao conhecimento distintivo: a essência plasmadora e a matéria indiferenciada, como o espectro de cores entre a luz branca e o meio incolor.
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A ciência moderna, ao buscar uma explicação última da natureza na estrutura intrínseca da matéria física, fracassa porque a redução da qualidade à quantidade jamais poderá compreender a qualidade, agindo como quem apaga todas as luzes para escrutar a natureza das trevas.
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A “forma” de uma coisa, seu aspecto qualitativo, é como uma luz que permite conhecer sua essência.
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A exclusão progressiva das características qualitativas em favor de definições matemáticas leva a física nuclear a substituir a lógica por estatísticas e probabilidades, adentrando a zona do caos, onde a indeterminação e a desproporção entre causa e efeito são características.
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As teorias modernas sobre a origem do mundo são absurdas não por sua formulação matemática, mas pela ingenuidade de seus autores ao se constituírem testemunhas imparciais do fenômeno cósmico, sendo o espírito humano, produto desse fenômeno, incapaz de ser seu juiz.
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Se o espírito humano é apenas um produto do fenômeno cósmico, não há garantia para a verdade de suas afirmações sobre a origem desse fenômeno.
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O dualismo cartesiano, ao separar espírito e matéria, preparou as mentes para prescindir de tudo o que não fosse natureza física, ignorando que o homem demonstra múltiplos modos ou graus de existência.
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O homem antigo e medieval, apesar de uma concepção errônea das relações físicas do universo, era consciente de que o mundo corporal não representa toda a realidade, estando circundado e penetrado por realidades mais amplas contidas no Espírito.
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O homem moderno, com seu conhecimento das imensidões astronômicas e das forças atômicas, vive como se o desenvolvimento normal da natureza lhe estivesse assegurado, sem reconhecer no céu signos divinos, substituindo a visão profunda por uma desorientação ante abismos sem comum medida com sua pessoa.
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Nada o recorda que o cosmos inteiro está contido nele, não em seu ser individual, mas no espírito que está nele e que é mais que ele e que todo o universo fenomênico.