As palavras na porta do inferno (“A justiça moveu meu supremo autor…”) expressam que o amor divino, origem da criação, é a expressão da abundância do Ser e da beatitude contida em Deus, um excesso que reverte na nada, concedendo existência inclusive à negação de Deus, mas esta é condenada pela justiça divina.
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A existência das possibilidades infernais depende do amor divino, mas tais possibilidades são condenadas pela justiça divina como negações de Deus.
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A duração do além (perpetuidade) não é idêntica à eternidade de Deus, e a condição dos condenados é a desesperação.
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Virgílio, que conduz Dante até a cima do purgatório, tem sua sede no limbo com os demais sábios e heróis da antiguidade, pois não batizado não pode alcançar os céus que dependem da graça.
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O “nobre castelo” no limbo, com seu prado de fresco verdor e gente de mirar repousado, já não tem nada a ver com o inferno, mas tampouco pode incluir-se diretamente sob a graça cristã.
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Dante não tem uma atitude fundamentalmente negativa em relação às fés não cristãs, como demonstra ao colocar o príncipe troiano Rifeo entre os eleitos, falando da imponderabilidade da eleição divina e aconselhando os homens a não julgá-la levianamente.
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Embora existam protótipos islâmicos para quase cada elemento importante da Divina Comédia (interpretação dos planetas como níveis de consciência, subdivisão do inferno, figura de Beatriz), é improvável que Dante conhecesse e reconhecesse o Islã como religião, sendo mais verossímil que tenha tido acesso a escritos não diretamente islâmicos, pois os espíritos podem encontrar-se num determinado nível de consciência sem jamais terem conhecido a existência um do outro no plano terrenal.