A predisposição do coração não se reduz à psicologia, embora tenha sombra psicológica, sendo apenas parcialmente captável retrospectivamente e por símbolos, e só podendo ser conhecida diretamente por integração intelectual no arquétipo fora de toda ordem criada, como participação predestinada no Conhecimento divino que abarca os arquétipos em não-manifestação.
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As apreensões simbólicas são imperfeitas.
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A totalidade escapa à consciência.
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O conhecimento direto requer Conhecimento divino.
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Os arquétipos são relações internas à Essência sem formas.
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A participação é ajuda divina vinculada ao conteúdo da essência imutável.
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O conhecimento do próprio arquétipo identifica-se com o Si mesmo (Atman) ou com a Ipseidade (al-huwiyya) e é subjetivo de modo divino por implicar identificação do espírito com o Sujeito divino, fazendo do ego um objeto relativo diante do Sujeito absoluto, enquanto a contemplação objetiva de Deus nos nomes é Deus contemplando-se em Suas qualidades das quais os seres são suportes.
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Atman e al-huwiyya nomeiam o núcleo do conhecimento de si.
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A identificação desloca o ego ao estatuto de objeto.
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A contemplação nos nomes não é ato do sujeito relativo.
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Os seres funcionam como suportes de manifestação das qualidades.
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Em sua Essência infinita e impessoal, Deus não se torna objeto de conhecimento e permanece como Testemunho (Šâhid) implícito de todo ato cognoscitivo, conforme o Corão (VI, 102), sendo a identificação com o Sujeito divino operação procedente do próprio Deus e reconhecida quando Deus a faz ver.
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O Testemunho não é apreendido porque apreende todas as coisas.
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A identificação depende de conteúdo da essência imutável reconhecido por iluminação.
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O conhecimento de si procede do Si mesmo e não do ego.
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Há prefigurações intelectuais com graus de atualidade.
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Ibn ‘Arabî afirma que a revelação essencial (Taŷallî dâtî) só ocorre segundo a forma da predisposição do ser, de modo que quem a recebe vê no espelho divino apenas sua própria forma e não vê Deus, analogamente ao espelho material, o que exprime a inapreensibilidade do Sujeito absoluto e evoca a perspectiva do Vedanta.
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A forma refletida é vista graças ao espelho, sem ver o espelho.
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A impossibilidade de ver simultaneamente espelho e forma é lei do símbolo.
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O símbolo aponta para Atman como Sujeito inapreensível.
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A polaridade simbólica não esgota a Essência além do dualismo.
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Ibn ‘Arabî apresenta esse limite como ápice do que a criatura pode alcançar objetivamente e adverte contra buscar além, mas distingue tal limite de um conhecimento direto inexprimível, retomando a máxima atribuída a Abu Bakr e afirmando que há quem conheça sem impotência, por implicar o inefável.
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O limite objetivo é descrito como fronteira extrema.
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A advertência refere-se ao esforço por via objetiva.
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A máxima de Abu Bakr caracteriza conhecimento como reconhecimento de impotência.
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O conhecimento verdadeiro é dito inexprimível.
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O mestre resume afirmando que Deus é o espelho em que o ser se vê e que o ser é o espelho em que Deus contempla Seus Nomes, sendo os Nomes Ele mesmo e a analogia das relações inversa.
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A relação é especular e recíproca.
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Os Nomes não são outros além de Deus.
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A inversão preserva a transcendência da Essência.