Al-Haba é ao Intelecto incriado o que a Alma universal (al-Nafs al-kulliyya) é ao Intelecto criado, e a primeira dupla relaciona-se com a Natureza universal (al-Tabia) e a Ordem divina (al-Amr), sendo a Natureza universal identificada com a Espiração divina (al-Nafas al-rahmani) como aspecto maternal da substância.
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Há teoricamente três duplas cosmogônicas cujos termos se relacionam como princípio masculino e princípio feminino.
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Do ponto de vista cosmológico, o Espírito ou Intelecto só é incriado implicitamente, pois apenas o Espírito criado representa uma realidade cósmica distinta de Deus.
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A Matéria-prima (al-Haba) em sua natureza puramente principial, denominada por Ibn Arabi Elemento supremo (al-Unsur al-azam), escapa à cosmologia por ser apenas uma possibilidade divina não-manifestada, o que dissolve aparentes contradições entre diferentes autores sufis.
Como mediador por excelência, o Espírito é também o protótipo das manifestações proféticas, identificando-se nesse aspecto com o arcanjo Gabriel (Jibril), que anunciou o Verbo à Virgem e transmitiu o Corão ao Profeta.
A imagem mais central do Espírito na Terra é o homem, mas como toda forma deixa necessariamente fora de si alguns aspectos de seu arquétipo, o Espírito revela-se igualmente em aspectos complementares em outras formas terrestres.
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A árvore é um desses símbolos: seu tronco simboliza o eixo do Espírito que atravessa toda a hierarquia dos mundos e seus galhos e folhas correspondem à diferenciação do Espírito nos múltiplos estados da existência.
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Segundo uma lenda sufi de provável origem persa, Deus criou o Espírito com a forma de um pavão e lhe mostrou sua própria imagem no espelho da Essência divina; o pavão, tomado de temor reverencial (al-hayba), emitiu gotas de suor das quais foram criados os demais seres, e a cauda do pavão imita o desdobramento cósmico do Espírito.
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A águia, que plana acima das criaturas terrestres e desce verticalmente sobre sua presa como um relâmpago, é outro símbolo do Espírito: assim a intuição intelectual apreende seu objeto.
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A pomba branca é imagem do Espírito por sua cor, sua inocência e a suavidade de seu voo.
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Nos confins extremos do mundo sensível, a natureza luminosa dos astros e a transparência e imutabilidade das pedras preciosas evocam outros aspectos do Espírito universal.