Quando os mestres do esoterismo, como os hindus advaitas, empregam a imagem de uma continuidade material para exprimir a Unidade essencial das coisas, estão plenamente conscientes da insuficiência dessa imagem, cuja evidência exclui o risco de ser tomada por outra coisa que uma alusão simbólica.
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Os hindus advaitas comparam as coisas a vasos de cores diferentes, mas todos feitos de argila.
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A justificação da imagem reside na analogia inversa entre a unidade essencial das coisas, feitas de conhecimento, e sua unidade material, sem qualquer relação com uma teoria da causalidade no sentido cosmológico.
O espírito contemplativo reconhece inúmeros graus de realidade cuja hierarquia é irreversível, de modo que se pode afirmar do relativo que é essencialmente uno com seu princípio sem que se possa dizer do princípio que esteja englobado em sua produção.
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O espírito contemplativo nunca tende a encerrar a realidade em um só de seus modos ou em um só de seus graus com exclusão dos demais.
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Todos os seres são Deus considerando-se sua realidade essencial, mas Deus não é todos os seres, não porque sua realidade os exclua, mas porque a realidade deles é nula diante de Sua infinitude.
A Unidade essencial (al-Ahadiyya), na qual toda diversidade se apaga, não contradiz a ideia metafísica da multidão indefinida dos graus da existência, pois ambas as verdades são solidárias entre si, tornando-se evidente quando se contempla a Infinitude divina (al-Kamal) por meio de cada uma delas.
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A Infinitude engloba ou dilata conforme seja considerada em sua determinação principial, que é a Unidade, ou em seu reflexo cósmico, que é o caráter inesgotável e indefinido da existência.
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A doutrina sufi da Unidade, apesar da diferença terminológica, é estritamente análoga à doutrina hindu da Não-dualidade (advaita) e nada tem a ver com um monismo filosófico, como pretendem os críticos modernos de intelectuais sufis como
Ibn Arabi e Abd al-Karim al-Yili.
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O método doutrinário desses mestres consiste em evidenciar os contrastes ontológicos extremos e considerar a Unidade essencial nunca por redução racional, mas por integração intuitiva do paradoxo.