O Profeta é aquele do qual derivam os segredos e brotam as luzes, numa relação complementar em que os segredos são predisposições latentes e as luzes são eflúvios do Ser que as atualizam.
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O “secreto” (sirr) é o âmago da alma, o órgão da contemplação das luzes, que reflete as realidades divinas segundo sua disposição.
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Os segredos, como potencialidades passivas em relação às luzes, identificam-se, em seu fundo insondável, à essência imutável (arquétipo) que contém eminentemente tudo o que a consciência individual realiza.
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Em sentido universal, os segredos correspondem aos arquétipos e as luzes às Qualidades divinas, fontes da Existência: as luzes manifestam os segredos, velando-os, e os segredos polarizam as luzes, diferenciando a luz do Ser.
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Os arquétipos, indistintos na Essência divina, distinguem-se primeiramente no Intelecto primeiro, do qual derivam e se cindem, enquanto a Luz divina se rompe através de seu prisma em múltiplas luzes.
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O Intelecto primeiro é o “istmo” entre o incriado e o criado, identificando-se com o Espírito, que tem um aspecto criado (angélico) e um aspecto incriado (divino).
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O Intelecto tem duas faces: uma voltada para Deus, pela qual não se distingue da Essência divina, e outra voltada para o mundo, pela qual é criado, como indicado nos ditos proféticos sobre o Intelecto e o Cálamo supremo.
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O Profeta identifica-se com o Intelecto primeiro, o mediador universal, pelo segredo de sua função.