O Novo Testamento, através da Epístola aos Hebreus, atribui a Melquisedeque características de transcendência humana e eternidade, tornando-o “semelhante ao Filho de Deus” e estabelecendo uma condição análoga à de Jesus, cujo nascimento virginal também escapa à filiação humana comum.
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A descrição de Melquisedeque como “sem pai, sem mãe, sem genealogia, sem princípio nem fim” o coloca em uma esfera supra-humana e eterna.
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A concepção de Jesus pelo Espírito Santo e seu nascimento da Virgem Maria criam uma situação análoga à de Melquisedeque, reforçando a similitude entre ambos.
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A identificação do sacerdócio de Jesus Cristo com o de Melquisedeque fundamenta a universalidade e a eternidade da Nova Aliança, libertando-a das limitações de tempo e espaço, de modo que ela antecede a vinda de Cristo e se perpetua após seu retorno ao Pai.
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Por ser “à maneira de Melquisedeque”, o sacerdócio de Cristo é universal, concernindo a toda a humanidade, e eterno, existindo antes e depois de sua vida terrena.
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A transcendência de Jesus às leis da geração e aos limites espaço-temporais é o que valida sua identificação com a ordem de Melquisedeque.
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A análise filológica da expressão “segundo a ordem de Melquisedeque” (do latim ordo, hebraico 'al divrati e grego kata tên taxin) demonstra que a tradução mais precisa é “à maneira de” ou “à semelhança de”, confirmando a ideia de uma similitude ou paridade entre Melquisedeque e Jesus Cristo, e não de uma sucessão institucional.
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O uso do verbo grego aphomoiô (assemelhar, assimilar) no capítulo VII, versículo 3, da Epístola aos Hebreus declara expressamente que Melquisedeque é “semelhante ao Filho de Deus”.
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O capítulo VII da Epístola aos Hebreus é inteiramente dedicado a afirmar a similitude e paridade entre os dois sacerdotes-reis.
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A relação de analogia entre Melquisedeque e Jesus Cristo implica a identidade de seus sacerdócios, uma conjunção que se manifesta de forma plena no uso comum da oferenda eucarística do pão e do vinho por ambos.
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Tudo o que é afirmado sobre Melquisedeque aplica-se, por analogia, a Jesus Cristo, especialmente no que tange à sua função sacerdotal.
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A oferta de pão e vinho por Melquisedeque encontra sua consagração definitiva no mesmo gesto realizado por Jesus Cristo na Última Ceia.
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Embora a universalidade e eternidade do sacerdócio de Melquisedeque tenham importância doutrinal, é o sacrifício do pão e do vinho dele derivado que possui o maior impacto sobre os fiéis, por se traduzir na prática ritual diária da missa.
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A recitação quotidiana do Salmo 110 nas vésperas do breviário romano funciona como um leitmotiv da continuidade funcional entre Melquisedeque e Jesus Cristo.
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A bipolaridade do pão e do vinho na Eucaristia reflete a dupla condição real e sacerdotal de Melquisedeque e de Cristo, relacionando o corpo e o sangue do Senhor.
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Melquisedeque e Jesus Cristo situam-se nos dois extremos da linhagem abraâmica do monoteísmo, com Melquisedeque precedendo e sendo superior ao patriarca, e Jesus Cristo concluindo a Antiga Aliança ao inaugurar uma Nova Aliança universal, cuja duração de dois milênios já confirma a promessa evangélica de um sacerdócio eterno.
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Melquisedeque abençoa Abraão, posicionando-se antes e acima dele, enquanto Jesus Cristo, descendente de Abraão, supera a Lei mosaica ao instaurar uma aliança fundada no amor universal.
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A declaração da eternidade do sacerdócio de Cristo, análoga à de Melquisedeque, encontra uma confirmação temporal na sua persistência por dois milênios.