Seguidor de René Guénon com alguns livros, e ensaios publicados na tradicional Éditions Traditionnelles, em grande parte voltados para o estudo das letras e do simbolismo, em particular da linguagem sagrada. ()
A Via de que se trata é a Via espiritual. Essa Via é múltipla, suas modalidades variando segundo as Tradições e as Línguas sagradas que lhe servem de enquadramento. É a esse conjunto de modalidades que se aludiu em Fonemas e Arquétipos sob o termo “contexto”.
Contudo, para além de sua multiplicidade e de sua “diferença” (senão na doutrina, ao menos nos métodos), todas as Vias convergem unanimemente para um mesmo Fim. Essa “unidade transcendental” dos esoterismos — manifestação da Sophia perennis, que transcende as formas particulares na expressão de uma verdade única — é uma realidade cada vez menos passível de negação numa época em que o conhecimento alcança uma visão planetária do homem. Nessa perspectiva, a preponderância da “civilização” ocidental relativiza-se e cede lugar, ou antes restitui o lugar, a formas de civilização “outras”, até então desprezadas ou negligenciadas. O conjunto desse fenômeno foi com justeza considerado como um dos raros fatos positivos de nosso tempo.
Outro fato positivo, igualmente característico e conexo ao precedente, é o interesse acentuado pelo simbolismo. Tal interesse testemunharia uma busca ou uma necessidade de conhecimento do “Invisível”. Tais “pulsões ou nostalgias” (Mircea Eliade) são, sob o olhar de uma espiritualidade autêntica, se não risíveis, ao menos bastante insuficientes; ademais, pertencem com frequência a uma curiosidade tão passageira quanto sua própria moda. Nos casos, porém, em que tal atitude corresponderia a uma necessidade mais profunda, consciente ou não, é necessário — uma vez que se fala a um público condicionado que vai de Aristóteles a Freud — empregar a formulação simultaneamente mais rigorosa e mais adequada à mentalidade geral.
Ora, a abordagem das Vias espirituais por meio da Simbólica das letras deveria ter alguma probabilidade de ser relativamente bem compreendida pelos homens de hoje, que poderiam, com o mínimo de perturbação intelectual, conceber essa Simbólica como uma espécie de “álgebra iniciática” (a palavra árabe jabr, de onde provém “álgebra”, contém o sentido sugestivo de redução, reparação, restauração). Tal “álgebra” deveria permitir uma compreensão (certamente mental, na ausência de iniciação efetiva) das doutrinas esotéricas mais concreta e, eventualmente, mais precisa, devido ao tecido literal que a estrutura e que lhe serve de dialética — dialética eliminada, convém enfatizar, de tudo o que pertence à ordem iniciática e supra-racional, e cuja ausência corre o risco de precipitar o leitor profano no desvario.