O privilégio do parto virginal encontra explicação metafísica nas relações entre Essência e Substância, onde a Substância, ao produzir, não é afetada por sua produção, permanecendo “sempre virgem”, ao mesmo tempo que é passiva em relação à Essência (Ato puro), que atualiza as possibilidades de manifestação nela contidas, sendo Deus a verdadeira causa da Encarnação.
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A explicação metafísica baseada na relação Essência-Substância.
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A não-afetação da Substância por sua própria produção, fundamentando a perpétua virgindade.
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A passividade da Substância em relação à Essência, refletida na atitude da Virgem.
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A atualização das possibilidades manifestativas pela Essência (Ato puro).
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Deus como a verdadeira causa da Encarnação.
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O título de “Mãe de Deus” decorre do fato de Maria ter concebido e dado à luz o Filho de Deus, e a escolha divina de uma mulher para a Encarnação é um ponto importante a ser examinado posteriormente.
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A concessão do título de “Mãe de Deus” a Maria.
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O fato da concepção e parto do Filho de Deus como fundamento do título.
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A relevância da questão sobre a escolha divina de uma mulher para a Encarnação.
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A Encarnação, assim como a Redenção, é um ato eterno na medida em que Deus conheceu desde sempre a união das naturezas humana e divina, embora a geração do Filho seja propriamente eterna; ao criar o mundo, Deus o concebeu segundo o modelo da pessoa perfeita de seu Filho encarnado, o Homem Universal.
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A Encarnação como ato eterno no conhecimento divino.
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A distinção entre a geração eterna do Filho e o ato eterno da Encarnação.
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A criação do mundo segundo o modelo do Verbo encarnado, o Homem Universal.
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Assim como o Verbo se encarnou no seio da Virgem pela palavra do Anjo, a imagem do Filho de Deus é gerada na alma do fiel pelas palavras sacramentais do batismo, conferindo-lhe o poder de se tornar filho de Deus, numa re-nascimento que, segundo Mestre Eckhart, é eterno no mesmo sentido exposto.
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O paralelo entre a Encarnação no seio da Virgem e a geração da imagem do Filho na alma do batizado.
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O papel das palavras sacramentais do batismo nessa geração.
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O poder conferido de se tornar filho de Deus.
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A interpretação de Mestre Eckhart sobre a natureza eterna desse re-nascimento.
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O terceiro privilégio, a Assunção da Virgem, decorre diretamente da Imaculada Conceição, pois a isenção do pecado e da corrupção do corpo permite sua ressurreição e assunção ao Céu, sendo a dormição, a ressurreição e a glorificação os três aspectos desse mistério.
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A relação de causalidade entre a Imaculada Conceição e a Assunção.
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A imunidade do corpo da Virgem à corrupção do túmulo.
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A ressurreição e o transporte ao Céu pelos Anjos.
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Os três objetos do mistério: dormição, ressurreição e glorificação.
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Embora a festa da Assunção seja antiga e solene, o dogma só foi proclamado em 1950, e sua justificação não repousa unicamente em fatos históricos ou na tradição, mas numa “razão de conveniência” metafísica, que a proclamação do dogma corrobora como alerta contra a “superstição do fato”.
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A antiguidade e solenidade da festa mariana.
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A proclamação recente do dogma (1950).
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A insuficiência de fatos históricos e da tradição para estabelecer a origem divina do cristianismo e do dogma.
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A suficiência de uma “razão de conveniência” ou metafísica para justificar a Assunção.
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A proclamação do dogma como alerta contra a “superstição do fato”.
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Se Cristo sobe ao Céu por seu próprio poder, a Virgem, por sua natureza, é assumida passivamente por Deus, que a ressuscita, eleva e coroa, sendo a intervenção dos Anjos símbolo dos estados superiores do Ser que ela percorre e ultrapassa ao ser coroada “Rainha dos Anjos”.
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A diferença entre a ascensão ativa de Cristo e a assunção passiva da Virgem.
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A ressurreição, elevação e coroação da Virgem por Deus.
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O simbolismo dos Anjos como representação dos estados superiores do Ser.
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A superação desses estados pela Virgem, coroada como Rainha dos Anjos.
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Uma tradição piedosa menciona uma descida da Virgem ao Purgatório para consolar as almas, o que, análogo à descida de Cristo aos infernos, representaria a recapitulação dos estados inferiores do Ser.
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A tradição da visita da Virgem às almas do Purgatório.
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O paralelo com a descida de Cristo aos infernos.
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A interpretação dessa descida como recapitulação dos estados inferiores do Ser.
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Segundo São Macário, as coroas incriadas recebidas pelos eleitos significam a identificação com o que eternamente são, a realização da predestinação divina, de modo que, após a extinção do eu, a Virgem desperta para o seu protótipo eterno de criatura perfeita concebido por Deus antes de todas as coisas.
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O ensinamento de São Macário sobre as coroas incriadas.
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A identificação dos eleitos com seu ser eterno como realização da predestinação.
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O despertar da Virgem para seu protótipo eterno de criatura perfeita.
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A concepção divina desse protótipo antes de todas as coisas.
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O mistério da Assunção é celebrado pela Igreja no hino das primeiras vésperas de 15 de agosto, que exalta a inimizade da Virgem contra o demônio, sua conceição sem tacha, a concepção e restauração da vida perdida, a vitória sobre a morte, sua assunção corporal ao Céu e a exaltação de toda a natureza chamada a tocar o cume da glória em Maria.
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A referência ao hino litúrgico da festa da Assunção.
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Os temas do hino: a inimizade com o demônio, a conceição imaculada.
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A concepção da Vida e a restauração da vida perdida por Adão.
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A vitória sobre a morte e a assunção corporal ao Céu.
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A exaltação de toda a natureza, chamada a atingir a glória em Maria.