Quando a filosofia ocidental fala de Deus, encarece-o quase sempre como o Ser; contudo o Princípio Supremo — que pode ser chamado Infinito por conter tudo em si mesmo sem limitação alguma — está além do Ser, sendo a um só tempo Ser e Não-Ser.
-
O Ser é a Personalidade suprema enquanto se afirma a si mesmo; o Não-Ser é a Suprema Impessoalidade — ou antes a Suprapessoalidade, pois não se pode conceber que falte algo ao Infinito; o Ser é a primeira das afirmações; do Princípio Supremo só se pode falar de forma negativa, negando o limite de uma palavra positiva, como em Não-Ser e Im-pessoalidade; assim Deus é a um só tempo pessoal e impessoal segundo o ponto de vista: a Essência divina infinita é impessoal e o Deus criador é pessoal.
-
A filosofia escolástica ensina que todo ser é à sua maneira uno, bom e verdadeiro — os transcendentais, propriedades transcendentais do ser conversíveis com ele; ao máximo de ser deve corresponder o máximo de unidade, e o Ser supremo é o Um; o Não-Ser é o Zero metafísico, não o nada, mas a possibilidade de afirmação da unidade; o Zero e o Um engendram todos os números à imagem da multiplicidade indefinida da manifestação; se o Ser é a Unidade absoluta, o Não-Ser é a não dualidade (advaita), pois está além mesmo da unidade.
-
Dionísio Areopagita fala da Divindade supersessencial — Hypertheos —, cuja teologia apofática procede por negação dos limites para afirmar a superessencialidade das qualidades em Deus: essa Tearquia supersessencial não deve ser louvada como razão, potência, vida, essência ou qualquer outra coisa pertencente ao ser; pode ser chamada Mais que boa, Mais que Deus, Supersessencial, Mais que viva, Mais que sábia.
-
Mestre Eckhart fala da Deidade (Gottheit), logicamente anterior à Divindade ou além das Pessoas divinas.