A Encarnação, mistério gozoso, representa a entrada de Deus no homem, realizada nos sacramentos da iniciação cristã, onde a alma pura e virgem, sob a ação do Espírito, dá à luz o Cristo, tornando-se conforme à imagem do Filho e permitindo que o Pai pronuncie as palavras de adoção, pois, como ensinam os Padres e Mestre Eckhart, Deus se fez homem para que o homem se fizesse Deus, num processo que exige a virgindade e fecundidade da alma.
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A Encarnação como paradigma da entrada de Deus no homem pelos sacramentos.
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A alma pura que, sob a ação do Espírito, gera o Cristo.
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A predestinação à conformidade com a imagem do Filho.
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A palavra de adoção do Pai: “Tu és meu Filho, eu hoje te gerei”.
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O axioma patrístico: “Deus se fez homem para que o homem se fizesse Deus”.
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O comentário de Mestre Eckhart sobre a virgindade e fecundidade necessárias à alma para conceber e gerar com o Pai.
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A Visitação, mistério gozoso, é a concentração jubilosa da alma na presença divina e a consciência de portar o Germe divino, o que a leva a agir conforme essa presença, transcendendo os limites do ego e reconhecendo o próximo como não outro que si mesma, donde a capacidade de santificar e irromper no Magnificat eterno.
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A Visitação como concentração da alma na presença divina.
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A consciência de portar o Germe divino.
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A ação conforme a presença, que ultrapassa os limites do ego.
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O reconhecimento do próximo como não diferente de si mesmo.
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A santificação daqueles que se aproximam e o irromper do Magnificat.
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A Natividade, mistério gozoso, é análoga à invocação do Nome divino, que atualiza e realiza as virtualidades espirituais implícitas na presença, sendo o órgão gerador da Virgem assimilável ao coração puro que engendra Deus ou à boca que pronuncia o Nome ou recebe a Eucaristia.
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A Natividade como analogia da invocação do Nome divino.
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A atualização e realização das virtualidades espirituais pela invocação.
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A assimilação do órgão gerador da Virgem ao coração puro e à boca que invoca o Nome e recebe a Eucaristia.
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A Apresentação, mistério gozoso, significa que a alma, mesmo inebriada pela graça, permanece consciente de seus limites de criatura e submetida à lei exterior, purificando-se pelos ritos e oferecendo ao Pai o Germe divino no altar do coração, para que, ao fim da vida, receba o Senhor nos braços da inteligência e da vontade e contemple a luz incriada.
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A consciência dos limites da criatura e a submissão à lei exterior, apesar da embriaguez da graça.
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A contínua purificação pelos ritos.
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A oferta do Germe divino ao Pai no altar do coração.
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O recebimento do Senhor nos braços da inteligência e da vontade, como Simeão.
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O canto do Nunc dimittis e a contemplação da luz incriada.
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A Recuperação no Templo, mistério gozoso, ensina a busca de Deus nas aridezes, inicialmente entre as criaturas e conhecimentos mundanos, depois na Igreja, e finalmente no santuário interior, onde o Verbo, na profundidade da Escritura e dos sacramentos, confunde o saber profano com a sabedoria eterna.
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A busca de Deus nas experiências de aridez espiritual.
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A procura inicial entre os conhecimentos e experiências mundanas.
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O direcionamento para a Igreja, a “Cidade santa”.
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O encontro com o Verbo no santuário interior, no “celeiro secreto” da Escritura e dos sacramentos.
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A superação e rejeição do saber profano pela Sabedoria eterna.
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A Agonia, primeiro mistério doloroso, é o esquecimento da presença divina e a negligência do Verbo, marcadas pela torpor e inadvertência, constituindo o combate espiritual, a guerra santa que a alma trava contra si e contra o mundo, primeira fase da extinção do ego.
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A Agonia como esquecimento e negligência da presença divina.
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O sono dos discípulos como símbolo da torpor e inadvertência.
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O “combate” ou “guerra santa” da alma contra si e o mundo.
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A Agonia como primeira fase da extinção do ego.
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A Flagelação, segundo mistério doloroso, significa as ações incompatíveis com a presença divina, como a dissipação e a dispersão, e a alma, para poupar essas dores ao Verbo interior, deve tomá-las sobre si, participando assim, ontologicamente, dos sofrimentos de Cristo, para além de meros estados de alma emocionais.
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A Flagelação como símbolo da dissipação, dispersão e falta de concentração.
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A necessidade de a alma tomar sobre si essas dores para poupar o Verbo interior.
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A participação ontológica nos sofrimentos de Cristo, para além de fenômenos meramente emocionais ou psíquicos.
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A Coroação de Espinhos, terceiro mistério doloroso, é a tendência da alma a atribuir a si a glória que é devida a Deus e a vangloriar-se da graça, sendo a purificação da parte superior da alma (pensamentos), após a purificação da parte inferior (mundo e paixões) no mistério anterior.
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A Coroação de Espinhos como símbolo da vanglória e apropriação indevida da glória divina.
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A purificação da “parte superior” da alma, referente aos pensamentos.
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A distinção entre a purificação da parte inferior (mundo e paixões) na Flagelação e a da parte superior na Coroação de Espinhos.
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O Carregamento da Cruz, quarto mistério doloroso, é a representação do sofrimento imposto ao Verbo pela manifestação universal, ou seja, o peso da ignorância e do individualismo que o Verbo destrói por seu sacrifício e seu Nome salvador.
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O Carregamento da Cruz como sofrimento do Verbo causado pela manifestação.
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O peso da ignorância e do individualismo como causas desse sofrimento.
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A destruição desse peso pelo sacrifício redentor e pelo Nome salvador do Verbo.
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A Crucificação, quinto mistério doloroso, é a morte do “eu”, exigida para que a presença real não seja supliciada e a alma possa renascer.
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A Ressurreição, primeiro mistério glorioso, é a tomada de consciência de que só Deus é real, e a alma reencontra n'Ele tudo de que se desapegou nos mistérios dolorosos, segundo o princípio de que tudo o que se ama está infinitamente em Deus.
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A Ressurreição como consciência da realidade exclusiva de Deus.
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O reencontro em Deus de tudo o que foi abandonado nos mistérios dolorosos.
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A formulação “Tudo o que amo está infinitamente em Deus”.
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A Ascensão, segundo mistério glorioso, é a tomada de consciência, pela alma, de sua parentesco profundo com Deus e de sua participação no Cristo glorioso, que a liberta de todo o criado.
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O Pentecostes, terceiro mistério glorioso, é a penetração da graça nas pensamentos e ações do homem deificado, que recebe a plenitude da graça e a ciência de todas as coisas, capacitando-o a realizar o conteúdo dos dois mistérios seguintes.
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O Pentecostes como a efusão da graça sobre o homem deificado.
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A plenitude da graça e o dom da ciência de todas as coisas.
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A capacitação para realizar os mistérios subsequentes.
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A Assunção, quarto mistério glorioso, é o “extinguir-se” da alma em Deus, a “extinção da extinção”.
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A Coroação da Virgem, quinto mistério glorioso, é o “despertar em Deus” da alma, que recebe uma coroa incriada, reintegrando, após a morte psíquica e espiritual, a realidade ou aspecto divino do qual estava separada pelo sonho da manifestação, identificando-se com o Nome divino de sua predestinação eterna e tornando-se, enfim, o que é: “Aquele que É”.
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A Coroação como o despertar da alma em Deus.
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O recebimento de uma “coroa incriada”.
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A reintegração na realidade divina após a morte psíquica e espiritual.
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A separação pelo “sonho da manifestação” e o retorno à Identidade essencial.
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A identificação com o Nome divino da predestinação eterna.
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A fórmula final: a alma “torna-se o que é”, e Isso é “O que É”.