O Ar é símbolo do Espírito Santo que sopra onde quer (Jo 3,8) e que se manifestou aos Apóstolos na Pentecostes como vento impetuoso (At 2,2).
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A graça do batismo faz do homem o templo do Espírito Santo (Rm 8,11); pela confirmação, o batizado recebe de modo especial o Espírito Santo e seus sete dons a fim de ser fortalecido na fé e capaz de combater por Jesus Cristo.
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Os sete dons, enumerados segundo Is 11,2-3, são, em ordem decrescente de perfeição: Sabedoria, Inteligência, Ciência, Conselho, Piedade, Força e Temor de Deus; os quatro primeiros são dons intelectuais, os três últimos são dons afetivos que fortalecem a vontade.
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Tomás de Aquino segue Gregório Magno, em oposição a Agostinho, seguido por Boaventura; a quinta parte do Breviloquium de Boaventura apresenta uma doutrina original dos dons.
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O dom de Conselho aperfeiçoa a Prudência, fazendo julgar pronta e seguramente, por intuição sobrenatural, o que convém fazer nos casos difíceis.
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O dom de Piedade aperfeiçoa a virtude de Religião, fazendo nascer piedade filial para com Deus, devoção pelas Escrituras e pelos santos, e afeição por todos os que lutam com as misérias desta vida, conforme Tomás de Aquino (II, II, q. 121, a. 1, ad 3) e Agostinho; ele conduz da temor servil ao amor filial e da religião exterior à adoração em espírito e verdade (Jo 4,23).
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O dom de Força aperfeiçoa a virtude de Força, concedendo energia e confiança para vencer os obstáculos no caminho da beatitude eterna.
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O dom de Temor aperfeiçoa a Temperança e a Esperança, arrancando o homem das ilusões do mundo criado e fazendo-o temer desagradar a Deus; trata-se não do medo de Deus nem do temor do inferno, mas do respeito filial que aproxima de Deus — a psicologia moderna critica com razão o temor irracional produzido por uma religião de terror ensinada na infância, mas tal temor é apenas uma caricatura do Cristianismo.
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O dom de Ciência não concerne à ciência da natureza nem à teologia adquirida pelo estudo, mas aperfeiçoa a Fé fazendo conhecer as coisas criadas em suas relações com Deus, revelando os vestígios e símbolos da ação divina no mundo.
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O dom de Inteligência, mais amplo que o de Ciência, aperfeiçoa igualmente a Fé, fazendo penetrar as verdades reveladas pelas Escrituras, reconhecer seu sentido espiritual ou simbólico, aceitar como eficazes os sinais sensíveis dos sacramentos e contemplar as relações misteriosas entre causas e efeitos.
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O dom de Sabedoria aperfeiçoa a Caridade, fazendo discernir, julgar e saborear Deus e as coisas divinas em seus princípios mais elevados; é a um só tempo luz e calor, iluminando a inteligência e animando a vontade para o conhecimento saboroso das coisas divinas.
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Os três dons intelectuais — Ciência, Inteligência e Sabedoria — concorrem diretamente para a contemplação por meio de um conhecimento experimental das coisas divinas, não por raciocínio, mas por intuição profunda que só se explica pela ação do Espírito Santo.
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Da ação do Espírito Santo nascem os frutos do Espírito Santo, doze segundo a tradução latina de Gl 5,22-23 — caridade, alegria, paz, paciência, benignidade, bondade, longanimidade, mansidão, fé, modéstia, continência, castidade —, sendo Paulo quem enumera apenas nove sem pretender uma lista completa; Tomás de Aquino (I, II, q. 70, a. 3, ad 4) observa que o número é simbólico e designa todos os atos de virtude em que a alma encontra um certo sabor espiritual.