No grau da Deificação, o homem torna-se por graça o que Deus é por natureza — theôsis —, tornando-se participante da natureza divina (2Pd 1,4) e unido ao Senhor em um único espírito (1Cor 6,17): tudo o que o Pai tem é do Filho (Lc 15,31) e o Pai e o Filho são um (Jo 10,30).
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Dionísio Areopagita, ensinamento comum ao Oriente e ao Ocidente cristãos, afirma que o fim da hierarquia é conferir às criaturas, tanto quanto possível, a semelhança divina e uni-las a Deus; a Similitude divina retorna à sua causa todos os seres que produz.
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Tomás de Aquino expressa a deificação numa metafísica baseada na participação à natureza divina (2Pd 1,4); Boaventura, à maneira de Dionísio, descreve a redução — o retorno a Deus causa primeira e final —; para uma criatura racional, a deiformitas é poder retornar à origem pela memória, inteligência e vontade; essa trindade de potências na unidade de uma essência constitui, para Boaventura e Agostinho, a imagem de Deus no homem, que só se exprime claramente quando o homem se volta para Deus e só atinge pleno florescimento na união a Deus pelas virtudes teologais, correspondentes às três potências da alma.
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Máximo Confessor insiste que a visão de Deus na treva constitui participação e deificação: nenhum aspecto da deificação é produto da natureza, pois a natureza não pode compreender Deus; somente a graça divina possui a faculdade de comunicar a deificação de modo analógico; então a natureza resplandece de luz sobrenatural e se vê transportada acima de seus próprios limites por uma superabundância de glória; Deus e os que são dignos de Deus não têm mais senão uma única e mesma atividade — energia de Deus só, pois ele inteiro se comunica aos que, inteiros, dela são dignos; Melquisedeque, possuindo em si o único Verbo de Deus vivendo e agindo, tornou-se sem princípio e sem fim, vivendo não mais a vida temporal mas a vida divina do Verbo, eterna e não limitada por nenhuma morte.
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Gregório Palamas, defendendo os santos hesicastas, ensina que Deus se deixa ver face a face (Nm 12,8), une-se aos dignos como a alma ao corpo e habita todo inteiro neles todos inteiros, de modo que, por sua parte, eles habitam todo inteiros nele; Deus, transcendente a todas as coisas, incompreensível e inefável, consente em tornar-se participável à inteligência e invisivelmente visível em sua potência supersensível.
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Mestre Eckhart descreve a alma que conhece Deus sem retorno sobre si mesma e se vê transformada em Deus: o fundamento primeiro da beatitude espiritual é a alma contemplar Deus sem véus; a vida eterna consiste unicamente em conhecer Deus como o único e verdadeiro Deus, não em saber que se conhece Deus; se o homem se torna bem-aventurado até o fundo e a raiz de sua beatitude, ele não se conhece mais a si mesmo nem conhece nada — só conhece a Deus; as mais altas potências da alma devem ser despojadas de sua essência e transformadas em Deus só, nascendo em Deus e de Deus, para que Deus seja seu único Pai.
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O texto conclui com a oração que encerra o Breviloquium de Boaventura: o conhecimento, o amor e a alegria dos bem-aventurados são proporcionais entre si e superam tudo o que o olho viu, o ouvido ouviu e o coração humano pressentiu; a prece pede que o conhecimento de Deus se desenvolva aqui embaixo e se desabroche no alto, que o amor cresça aqui e chegue à plenitude lá, e que a alegria seja grande em esperança aqui e plena em realidade lá, até a entrada na alegria do Senhor trino e uno, bendito nos séculos dos séculos.