A aplicação dos preceitos agostinianos estende-se a obras literárias clássicas e a elementos decorativos tradicionais que a crítica moderna insiste em analisar superficialmente sob o viés exclusivo da poética, do lirismo ou do mero adorno de interiores, ignorando seus propósitos práticos, prescritivos e salvíficos.
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Dante Alighieri declara que a totalidade de sua obra magna visa retirar os seres humanos do estado de miséria e conduzi-los à bem-aventurança, refutando a classificação de sua criação como pura literatura especulativa.
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O Rig Veda sofre deturpações avaliativas que enaltecem sua lírica em detrimento de sua função doutrinária e de sua verdade intrínseca, plenamente reconhecidas pelos adeptos autênticos da tradição védica.
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A apropriação contemporânea de padronagens antigas e folklóricas para fins estritos de ornamentação ambiental mascara o significado operativo original sob a falsa chancela de um método científico de estudo.
A doutrina da inteligibilidade indispensável manifesta-se tardiamente na evolução musical europeia através do embate histórico entre o canto chão e o contraponto, culminando na exigência institucional de que a complexidade sonora não obliterasse a clareza textual.
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Josquin des Prés estabelece no século quinze a premissa de que a excelência acústica depende obrigatoriamente da significação semântica.
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A insatisfação eclesiástica com a ininteligibilidade vocal gerada pela polifonia encontra registro formal na denúncia de um bispo de Ruremonde sobre a completa indistinção das palavras executadas pelo coro.
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A legitimação da música figurada perante os papas e o Concílio de Trento consolida-se exclusivamente após Palestrina comprovar a compatibilidade entre as novas formas estruturais intrincadas e a perfeita lucidez da mensagem.
A subordinação categórica da arte cristã a um propósito predeterminado define a obra invariavelmente como um meio funcional e transitório, tornando impossível a sua compreensão genuína ou o julgamento de sua eficácia quando o seu fim intrínseco é ignorado.
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A destituição da razão de ser de um objeto e de sua aplicação original converte-o instantaneamente em uma futilidade desprovida de valor prático.
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A postura moderna assemelha-se à atitude irracional de um viajante que arranca uma placa de sinalização de sua rota para admirá-la isoladamente como artigo de decoração de lareira, inviabilizando qualquer apreensão de sua verdadeira utilidade lógica.
A corrupção da utilidade original de uma peça arruína irreparavelmente a sua harmonia constitutiva e converte a mera fruição contemplativa isolada em um gravíssimo solecismo estético e desvio pecaminoso de finalidade, distanciando o observador da ascensão intelectiva suprema.
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Tomás de Aquino sentencia que a aplicação de um artefato a um propósito estranho à sua gênese aniquila sua ordem proporcional e sua beleza inerente.
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Agostinho de Hipona classifica como loucura e pecado de luxúria a atitude de desfrutar prazerosamente daquilo que foi concebido estritamente para o manuseio pragmático ou persuasivo.
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William Blake descreve a apreensão integral da forma como um embarque no veículo ígneo do pensamento meditativo ou dhyana, propiciando o resgate anímico e o encontro com a divindade em uma dimensão infinitamente superior ao simples agrado sensorial.