A descrição do princípio inefável aproxima o
Buda do Brahma bramânico como ātman que não devém alguém, não tem nome pessoal nem de família e só pode ser indicado por negação e por “isso é”, e o “não-nascido, não-tornado, não-feito, não-composto” é apresentado como condição para haver escape do nascimento e do composto, sem que se ensine aniquilação de essência, mas apenas o fim do sofrimento.
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Brahma é descrito como sem nome e sem rastros.
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A pergunta “quem conhece onde é Brahma” exprime incognoscibilidade.
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Neti neti é apresentado como via negativa do verdadeiro.
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O pensamento “isso é” é indicado como único apontamento possível.
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O não-nascido e não-composto é definido como base de possibilidade de saída do composto.
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O anātman inanimado é inferido como condição do ser invisível que dá vida.
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A negação de ensinar aniquilação de essência é explicitada.
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O ensinamento é reduzido à cessação do sofrimento.
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O símile do carro em Milinda e em tradições bramânicas, platônicas e filônicas descreve o veículo psicofísico com sentidos como cavalos, controles como rédeas, mente como cocheiro e ātman como auriga passageiro e proprietário, e a insistência budista na ausência de substância essencial do composto levou ao mal-entendido de negar a Pessoa ao supostamente omitir o auriga.
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O carro representa o corpo-e-alma como veículo de vida e movimento.
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Os sentidos são comparados a cavalos.
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As rédeas são os controles.
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A mente é o cocheiro.
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O ātman é o auriga, passageiro e proprietário.
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O destino é conhecido apenas pelo auriga.
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A mente sem controle permite desvio e extravio do veículo.
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A doma dos sentidos pela mente conforme conhecimento do ātman conduz o ātman de volta para casa.
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“Carro” e “si mesmo” são nomes convencionais de agregados compostos.
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A leitura de “isso não é meu ātman” como “não há ātman” é indicada como erro paralelo ao erro do carro.
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A crítica protesta que o auriga foi omitido.
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A análise do agregado não decide a favor ou contra uma substância eterna imperceptível presente no veículo, e textos pāli estabelecem o auriga como a Lei Eterna (dharma) que não envelhece, com a qual o
Buda se identifica como seu refúgio e como melhor dos aurigas que doma homens como cavalos, havendo também exposição que conclui que o condutor é o ātman e que a Grande Pessoa é auriga em todos os seres.
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O nome pessoal é recusado por Nāgasena como designação de agregado inconstante.
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A possibilidade de dizer “vive, mas não eu, e sim a Lei em mim” é inferida do quadro apresentado.
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A Lei Eterna é dita não envelhecer enquanto carros e corpos envelhecem.
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O
Buda identifica seu refúgio com essa Lei.
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O
Buda se apresenta como melhor dos aurigas.
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A doma de homens como cavalos é atribuída ao
Buda.
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Um texto conclui com afirmação explícita do condutor como ātman, em termos próximos às
Upanishads.
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A glosa comentarial identifica o
Buda como ātman espiritual.
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A Grande Pessoa é afirmada como auriga comum a todos os seres.
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A identificação do
Buda dos textos pāli com o Espírito (ātman) e com o Homem interior universal é declarada necessária pela lógica escritural, equiparando-o a Brahma, Prajāpati, Fogo e Sol e apresentando suas obras como feitos de Brahma sob formas de Agni e Indra, com as duas possibilidades de sacerdócio e realeza realizadas no Cakravartin em paralelo com a figura de Cristo como sacerdote e rei.
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Buda, Grande Pessoa, Arhat e Brahma-devenido são reunidos sob um mesmo princípio interior.
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O Uno que se multiplica e no qual os muitos retornam ao uno é afirmado como estrutura metafísica.
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Os nomes Brahma e Prajāpati são usados como equivalentes do primeiro princípio.
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Fogo e Sol são incluídos como designações tradicionais do mesmo princípio.
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As “hazañas” são lidas como recorrências do mito védico.
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Agni e Indra são caracterizados como sacerdote e rei in divinis.
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A dupla possibilidade é apresentada como condição do nascimento do
Buda.
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O reino não ser deste mundo é conciliado com a soberania universal como giro da roda.
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Cakravartin é apresentado como sacerdote e rei.
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O paralelo com Cristo como sacerdote e rei é explicitado.
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A via escritural é formulada como exigência positiva de conhecer o Si mesmo e, correlativamente, de conhecer o que não é o Si mesmo, e a purificação é definida como distinção do ātman de acidentes psicofísicos enquanto a identificação com tais acidentes é declarada causa de sofrimento e mortalidade, ilustrada pelo episódio de Bodhidharma que resolve a inquietação ao mostrar a impossibilidade de localizar uma alma substancial.
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O conhecimento do ātman é exigido em termos positivos pelas escrituras.
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O conhecimento do anātman é exigido pelo mesmo motivo.
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A retirada da consciência de falsas identificações é definida como via.
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A falácia patética é descrita como dizer “eu penso” e “eu faço” como identidade.
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Śuddha/katharos é usado como distinção do ātman de acidentes corporais e mentais.
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O sofrimento e a mortalidade são atribuídos à pior identificação possível com o psicofísico.
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A libertação é negada a quem ainda é “alguém”.
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O diálogo com Bodhidharma é usado como parábola de pacificação pela inexistência de alma encontrável.
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A errância no saṃsāra é negada ao Si mesmo imortal porque ele não é personalidade sobrevivente, e a volta para casa é atribuída ao ātman pródigo que se recorda e retorna à unidade inescrutável, articulando-se com fórmulas cristãs de descida e ascensão, de negar-se a si mesmo e de morte completa como condição do Reino, culminando em imagens de solidão metafísica e de vazio que passa ao vazio.
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O ātman imortal é separado da ideia de personalidade persistente.
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Não é um indivíduo empírico quem retorna e desaparece de vista.
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O retorno é descrito como recordação do ātman pródigo.
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A unidade final é apresentada como Uno e inescrutável, Deus absconditus.
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A frase sobre descer do céu é conectada à impossibilidade de ascensão sem essa origem.
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A exigência de negar-se a si mesmo é retomada como condição do seguimento.
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A máxima de Meister
Eckhart sobre o completamente morto é reiterada.
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O Nirvāṇa é descrito como voo do Solo ao Solo.
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O vazio que passa ao vazio é apresentado como imagem final.
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As exortações uttiṣṭhata jāgrata e ye suttā te pabbujjatha encerram como chamado ao despertar.