A evolução é reencarnação, a saber, a morte de um e o renascimento de outro em continuidade momentânea, e a metafísica abandona a proposição animista de
Descartes cogito ergo sum para dizer cogito ergo est, respondendo à pergunta quem se reencarna que esta é uma pergunta imprópria, porque seu sujeito não é um ser entre outros, mas a realidade de tudo que eles são e de tudo que não são.
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A reencarnação como se entende comumente, significando retorno das almas individuais a outros corpos na terra, não é uma doutrina ortodoxa indiana, mas apenas uma crença popular.
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O Dr. B. C. Law observou que o pensador budista repudia a noção de que um ego passe de uma incorporação a outra.
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Shankaracharya disse que em verdade não há nenhum outro transmigrante que o Senhor, que é ao mesmo tempo transcendentemente ele mesmo e o Si mesmo imanente em todos os seres, mas que jamais devém alguém.
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Quando Krishna diz a Arjuna e o Buddha a seus Mendicantes que longa é a senda que caminharam e muitos os nascimentos que conheceram, a referência não é a uma pluralidade de essências, mas ao Homem Comum em cada homem, que na maioria esqueceu a si mesmo, mas que no redespertado alcançou o fim da via e não é mais uma personalidade no tempo.
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O Senhor é o único transmigrante, e isso és tu, o verdadeiro Homem em cada homem; Blake disse que o homem busca na árvore, na erva, no peixe, na besta, reunir as porções dispersas de seu corpo imortal, e que donde quer que cresce uma erva ou brota uma folha se vê, escuta e sente o Homem Eterno.
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Rumi disse que erva e arbusto foi, e verme, e árvore, e muitos tipos de bestas, e pássaro, e serpente, e pedra, e homem e demônio, e que em cada espécie nascida ganhou a liberação.
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Ovídio disse que o espírito vaga errante, ora vem aqui, ora vai ali, ocupa qualquer aparência que lhe apraz, passa das bestas aos corpos humanos e destes aos corpos das bestas, mas nunca perece.
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Taliesin disse que foi em muitos disfarces antes de ser desencantado, que foi o herói em aflição, que é velho e é jovem.
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Empédocles disse ter nascido antes disso como jovem e donzela, arbusto e pássaro, e peixe silente saltando do mar.
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Rumi disse que primeiro saiu do reino do inorgânico, morou longos anos no estado vegetal, passou à condição animal e daí à humanidade, de onde há ainda outra migração a fazer.
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O Aitareya Aranyaka ensina que ao que conhece o Si mesmo com cada vez maior clareza, com tanta maior plenitude se Lhe manifesta; nas plantas e árvores só é visível o plasma, nos animais é visível a inteligência, e no homem o Si mesmo devém cada vez mais evidente, pois o homem está dotado de providência, diz o que conheceu, vê o que conheceu, conhece o amanhã e pelo mortal busca o imortal.
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Rumi resumiu que o Peregrino, a Peregrinação e a Senda eram apenas Mim mesmo em direção a Mim mesmo.
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A doutrina não é a da reencarnação no sentido popular e animista, mas a da transmigração e evolução da Natureza sempre produtiva, e não contradiz nem exclui de nenhuma maneira a atualidade do processo de evolução tal como o considera o naturalista moderno; é precisamente a conclusão a que se vê conduzido Erwin Schrödinger, em seu livro What is Life?, ao afirmar que eu, no sentido mais amplo da palavra, sou a pessoa que controla a moção dos átomos segundo as Leis da Natureza, e que a Consciência é um singular cujo plural é desconhecido.
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Schrödinger reconhece que essa é a posição enunciada nas
Upanishads e sucintamente nas fórmulas isso és tu e além de Quem não há nenhum outro que vê, escuta, pensa ou age.
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Schrödinger é citado não porque a verdade das doutrinas tradicionais possa provar-se com métodos de laboratório, mas porque sua posição ilustra que não há nenhum conflito necessário entre a ciência e a religião, mas apenas a possibilidade de uma confusão de seus respectivos campos.
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Para o homem total, em quem se efetuou a integração do Ego com o Si mesmo, não há nenhuma barreira intransponível entre os campos da ciência e da religião; o cientista natural e o metafísico podem ser um e o mesmo homem.
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Nota 198: o ensaio resume a posição esboçada em On the One and Only Transmigrant, obra de 1944; a posição assumida é que todos os textos tradicionais, indianos, islâmicos e gregos, que parecem sustentar uma reencarnação das essências individuais, são expressões em termos de um animismo pragmático e popular, e devem ser compreendidos metafisicamente como referentes apenas à universalidade do Espírito.