A doutrina exposta transcende opiniões pessoais, pertencendo à
Philosophia Perennis, onde a cultura é compreendida como originada no trabalho e não no lazer.
A atividade humana divide-se entre o fazer e o obrar, sendo o primeiro governado pela arte e o segundo pela prudência.
O artista opera simultaneamente por arte e voluntariamente, o que implica uma responsabilidade moral inalienável sobre a retidão de sua vontade.
A manufatura justifica-se pelo uso e não pelo proveito financeiro, integrando o indivíduo em uma ordem social orgânica.
O tipo de arte exercido por cada indivíduo — seja carpinteiro, pintor ou sacerdote — é determinado por sua própria natureza e nascimento.
O propósito da arte em uma sociedade tradicional revela a concepção de vida regente, sendo o bem do homem e da sociedade o critério de validade.
O mero prazer sensorial não constitui uso legítimo, mas sim uma apreciação estética sentimental dissociada da razão de ser do objeto.
O uso compreensivo e a verificação na própria vida são as únicas bases que conferem o direito ao prazer derivado das obras de arte.
A vida dedicada exclusivamente ao prazer é considerada sub-humana, pois o prazer deve ser o resultado natural da operação correta e não um fim em si mesmo.
A manufatura tradicional atua como um processo educativo onde o trabalho é, simultaneamente, oração e alavanca a Deus.
A arte tradicional, seja cristão, oriental ou folclórico, rejeita a distinção entre belas artes inúteis e artesanias utilitárias.
O julgamento moral de uma obra é essencial para a vida humana, mas distingue-se do julgamento técnico da obra como arte.
A beleza é definida como o poder atrativo da perfeição, presente em contextos diferentes sem que se possa estabelecer uma hierarquia de belezas.
A ideia de progresso na arte é absurda, pois pressupõe que os artistas primitivos falharam em atingir objetivos modernos que eles nunca pretenderam.
A beleza é objetiva e reside no artefato, sendo independente das reações superficiais ou morais do espectador.
A arte primitivo e medieval é mais abstrato e intelectual por possuir algo definido a dizer, em oposição ao foco moderno em anatomia ou perspectiva.
A perfeição do objeto exige que o crítico se identifique com a visão de formas ideais do artista, tornando a crítica uma forma de reprodução.
O homem é um ser simultaneamente espiritual e psicofísico, o que torna impossível a classificação de obras puramente funcionais ou espirituais.
A separação entre artes aplicadas e belas artes condena a maioria a uma vida de subprodutos, enquanto as artes finas tornam-se ornamentos sem significação.
Na ausência de distinção entre o sagrado e o secular, objetos cotidianos como casas e carros eram imitações de protótipos divinos.
A morte do homem metafísico ocorre quando se vê apenas o objeto em si mesmo, encerrando a humanidade na caverna do determinismo funcional e econômico.
A operação do artista é dupla: teorética (livre) e operativa (servil), resultando na impressão da forma viva sobre o material.
A imagem da obra nasce no intelecto como uma concepção intelectual fruto da sabedoria do artista.
As figuras naturais são apenas o vestuário no qual se veste a forma, agindo como meios para a expressão de ideias puras.
O ato imaginativo é livre porque o artista expressa a si mesmo
sub specie aeternitatis, e não sua personalidade individual ou idiossincrasias.
O artista ativo e consciente utiliza a si mesmo como instrumento do espírito, sendo um contemplativo e um bom trabalhador simultaneamente.
O gênio não é uma propriedade pessoal, mas o Espírito inmanente (
Sinderesis) que o artífice deve servir como consciência artística e moral.
O estilo é a marca inevitável da individualidade humana, sendo o acidente e não a essência da obra de arte.
Nas artes tradicionais, a questão fundamental não é quem disse, mas o que foi dito, pois toda verdade tem origem no Espírito.
Jogos, atletismo e contos de fadas tradicionais são incorporações de doutrinas metafísicas e não meros entretenimentos modernos.
O objetivo supremo da consciência é perder a egoidade para encontrar-se no princípio e fim de todas as coisas.
A efígie tradicional representa um tipo ou função social (rei, ferreiro) e não a aparência individual do sujeito.
O retrato ideal mostra o homem como ele seria na Ressurreição, em um corpo de glória sem as imperfeições da idade ou individualidade.
A humanização e a sentimentalização da arte (como o Cristo sofrendo) marcam a decadência dos interesses intelectuais para os sentimentais.
O progresso da arte é uma ilusão que ignora as intenções dos artistas antigos, como a frontalidade ou a falta de perspectiva científica.
Estudar arte cristã ou budista sem as respectivas filosofias é tão inútil quanto estudar matemática sem conhecer os números.
A pobreza voluntária é um ideal que rejeita a multiplicação de utilidades que escravizam o homem à sua própria maquinaria.
O iconoclasmo e a iconolatria são métodos complementares: a imagem é um suporte necessário para a maioria, mas deve ser transcendida na visão direta de Deus.
A linguagem simbólica é a única forma de falar da realidade última, revelando a metade e ocultando a metade através de mistérios.
A arte religioso é uma teologia visual que utiliza as vias afirmativa e negativa para conduzir a alma à unidade da Pessoa divina.