O começo sempiterno abriga de modo indiviso a Identidade Suprema sem qualquer diferenciação entre ser e não ser, de onde emerge o Matador do Dragão como um princípio correlato destinado a suplantar o Pai e a libertar as potencialidades do reino através de uma paixão sacrificial que institui a inseparabilidade essencial entre o sacrificador e a vítima por trás das aparências do conflito cosmológico fenomênico.
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A totalidade encontra-se inicialmente encerrada no princípio primeiro, designado alternativamente como Pessoa, Progenitor, Montanha, Árvore, Dragão ou Serpente infinita, não havendo separação entre luz e obscuridade ou entre céu e terra.
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O Matador do Dragão configura-se mais como um alter ego do que como um princípio distinto, assumindo o papel imperativo de libertar os tesouros e destruir a prisão original para que o mundo possa efetivamente existir.
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A submissão do Pai à paixão sacrificial pode ocorrer de modo voluntário, por amor aos filhos, ou por imposição dos Deuses, constituindo variações narrativas que não se contradizem, mas que ilustram a mesma dinâmica em que inimigos mortais no palco da manifestação representam uma unidade inseparável nos bastidores da realidade.
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O Pai-Dragão preserva a sua condição de Pleroma inesgotável, não sofrendo qualquer diminuição ou acréscimo em sua substância por intermédio de suas emanações exaladas ou inaladas.
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A deidade primordial identifica-se com a Morte da qual depende a vida manifesta, permanecendo singular em sua origem, mas multiplicando-se em sua descendência terrena, o que exige a sua pacificação para que se converta em um aliado do herói já estabelecido como amigo da humanidade.