A pintura, a agricultura, a música e a carpintaria são compreendidas como tipos equivalentes de poesia ou produção, fundamentadas, segundo
Plotino e
Platão, no pensamento inteligível e não meramente na sabedoria humana.
O desprezo de
Platão pelas baixas artes mecânicas dirige-se exclusivamente às manufaturas que atendem apenas às necessidades do corpo, distinguindo-as do trabalho nobre.
A arte saudável admitido no estado ideal deve ser útil e fiel a modelos retos, provendo simultaneamente as necessidades das almas e dos corpos.
A música, como cultura, e a ginástica, como bem-estar físico, são fins que jamais devem ser perseguidos separadamente, sob pena de produzir artistas delicados ou atletas rudes.
A tendência contemporânea de considerar a cultura e a música como estimáveis porém inúteis ignora que, tradicionalmente, a música é o acompanhamento de uma ação.
As concepções modernas de cultura são negativas e, conforme Dewey, frequentemente esnobistas.
As lições do museu devem encontrar aplicação na vida cotidiana.
A aptidão para o uso e a eficácia dos objetos são dadas por certas, voltando-se a investigação para o sentido de fidelidade e significância das obras.
A fidelidade para
Platão consiste na correção iconográfica, sendo todas as artes representações de modelos invisíveis através de analogias que evocam arquétipos.
As obras de arte servem como recordatórios e suportes de contemplação destinados a harmonizar o pensamento humano com as harmonias cósmicas.
A assimilação do conhecedor ao que é conhecido, conforme as
Upanishads, torna a natureza dos paradigmas artísticos um elemento de suma importância para o valor cultural.
O conteúdo da arte é superior ao seu método, pois o que é representado deve determinar como a obra é executada, da mesma forma que a forma determina a figura.
A representação de formas invisíveis e as ações de deuses e heróis constituem o tema legítimo da arte, em oposição aos sentimentos pessoais do artista.
O poeta que falha em imitar as realidades eternas e se limita ao caráter humano não possui lugar na sociedade ideal, independentemente da fascinação de sua obra.
A tarefa da arte, segundo Andrae em concordância com
Platão, é apreender a verdade primordial e reproduzir as imagens arquetípicas.
A arte real é uma representação simbólica de coisas visíveis apenas ao intelecto, constituindo a antítese da educação visual moderna que foca na aparência das coisas.
O instinto natural da criança de desenhar o pensamento antes da observação é frequentemente suprimido por métodos de ensino que priorizam a correção visual.
A instrução escolar contemporânea, ao focar no ver em vez do pensar, torna o museu um inimigo jurado de seus métodos de ensino.
Platão elogiava a arte egípcio por seu carter canônico e sagrado, no qual os modos de representação eram considerados corretos por natureza.
A visão platônica é idêntica à dos escolásticos, para os quais a arte possui fins fixados e meios de operação verificados.
A inovação artística é fruto de impulsos irracionais, sendo que novos tipos de música podem destruir as bases da civilização.
A cultura sentimental ou estética é sinônimo de materialismo, preferindo a expressão instintiva à beleza formal da arte racional.
A distinção entre o matemático movido por uma equação e o artista movido por uma visão formal é inexistente sob a perspectiva da lógica e da reta razão.
A beleza da linha reta, do círculo e das figuras geométricas é absoluta e não relativa, conforme o rigor platônico.
A arte grego arcaico e geométrico corresponde ao conteúdo dos mitos respeitados por
Platão, representando um nível de intelectualidade superior à arte humanístico posterior.
A pintura em areia dos índios americanos é superior em tipo às produções europeias dos últimos séculos por seu caráter intelectual.
A decadência da arte desde a Idade da Pedra reflete um declínio na intelectualidade, embora tenha havido progresso no conforto material.
A organização de uma exposição museológica deve possuir a função de desinflar a ilusão do progresso.
A confusão entre a arte abstrato moderno e a formalidade da arte primitivo deve ser corrigida, pois a semelhança entre ambos é apenas superficial.
A arte neolítico é abstrato ou algébrico por ser a única forma capaz de unificar coisas diferentes sob um princípio metafísico.
As formas da arte grego primitivo mantêm o equilíbrio polar entre o físico e o metafísico.
Bernheimer aponta que o esquecimento do propósito metafísico em favor de modelos absolutos é o erro fundamental do movimento abstrato moderno.
O formalista neolítico era um homem metafísico que integrava as necessidades da alma e do corpo em sua operação vital.
A exposição deve exortar o retorno aos níveis de cultura selvagem onde a integração entre ser e fazer era plena.
A presença de objetos de qualidade superior apenas em museus decorre da oposição essencial entre a produção para o uso e a produção para a venda.
Os objetos de museu não eram originariamente tesouros para vitrines, mas itens comuns fabricados por encomenda para o uso.
A diferença fundamental reside na manufactura por homens livres e responsáveis versus a produção mecanizada voltada exclusivamente ao lucro.
O artefato de museu foi produzido por homens para os quais o trabalho era uma vocação e uma profissão.
Os objetos de consumo moderno não são feitos por homens livres, mas por indivíduos submetidos ao despotismo do vendedor.
Platão sustenta que o artista deve ser um homem livre de obrigações servis para representar corretamente as realidades eternas.
O ato de imaginação onde a ideia se veste de forma imitável é um ato livre, enquanto a operação de incorporar essa forma no material é servil.
Os métodos de manufactura industrial são vergonhosamente servis por omitirem o ato de imaginação livre do trabalhador.
O sistema industrial pressupõe a existência de artistas privilegiados e operários sem imaginação, reduzindo o trabalho à mera execução de ideias alheias.
A sociedade que reserva a liberdade apenas para os criadores de coisas inúteis e condena os produtores de utilidades à servidão não é verdadeiramente livre.
A artesania vocacional distingue-se do emprego meramente lucrativo, sendo a base da qualidade superior encontrada nos museus.
Platão afirma que o trabalho realizado de acordo com a natureza de cada homem produz mais e melhor.
O prazer proporcionado pelo trabalho vocacional aperfeiçoa a operação, sendo visível nos objetos de museu.
O anseio pelo lazer revela que a maioria dos trabalhadores exerce tarefas para as quais não foi chamada por sua natureza ou por Deus.
Artesãos tradicionais no Oriente trabalham além do horário por amor ao ofício, demonstrando a indissociabilidade entre trabalho e cultura.
O divórcio entre trabalho e cultura produz uma cultura irreal de estufa, limitada às horas de lazer.
A perda da vida vocacional, que
Platão igualava à Justiça, resultou na destruição de todas as culturas que entraram em contato com a civilização industrial.
A compreensão da arte antigo exige que ele seja visto sob a ótica de seus autores, evitando o erro de interpretá-lo por meio da psicologia ou estética modernas.
O docente deve explicar termos como arte, natureza e inspiração, cujos significados atuais divergem totalmente da filosofia tradicional.
O termo estética deve ser descartado por referir-se apenas a sensações e reações a estímulos externos, comuns a plantas e animais.
A aisthesis é a força indutora do instinto, e
Platão exorta o homem a erguer-se contra os impulsos do prazer e da dor.
O julgamento e a apreciação da arte são atividades intelectuais, enquanto a experiência estética é apenas uma passividade sensorial.
A arte é uma virtude intelectual e a beleza é o aspecto atrativo do conhecimento e da bondade.
O homem de ação busca a reta razão ou lógica da composição nas obras de arte, em vez de se satisfazer com superfícies estéticas.
A composição das obras antigas obedece a razões expressivas, e o julgamento fundamental recai sobre a clareza com que o tema foi exposto.
O exame de uma obra de arte deve começar pelo seu tema, que na filosofia tradicional é sinônimo de forma ou ideia.
A forma é a alma da obra, e o modelo na mente do artista é o que molda a figura material.
Deus chamou Sua criação de boa porque ela se conformava ao modelo inteligível, princípio que o artífice humano segue ao verificar sua obra.
A beleza é a formalidade da obra, enquanto a informalidade é a fealdade ou ausência de figura.
A arte não é o objeto tangível, mas o conhecimento que permanece no artista e pelo qual as coisas são feitas.
O julgamento não deve ser confundido com o gosto, pois a beleza difere da formosura e há quem aprecie deformidades.
O ornamento significa originariamente equipamento ou provisão necessária para que o objeto funcione efetivamente.
Os ornamentos primitivos possuíam valor metafísico e transformavam o objeto ritualmente para funcionar espiritual e fisicamente.
A perda dos valores simbólicos transforma o ornamento em sofisticação irresponsável em relação ao conteúdo.
Sócrates sustenta que a distinção entre beleza e uso é apenas lógica, pois uma coisa só é bela no contexto para o qual foi desenhada.
A inspiração não é provocada por objetos externos ou materiais, mas pela operação de uma força espiritual sobrenatural dentro do homem.
A natureza na arte não se refere ao ambiente visível, mas ao princípio pelo qual as coisas são naturadas e agem conforme sua essência.
A apreciação da arte como experiência estética assume que o público precisa ser ensinado a sentir, quando este já sabe o que lhe agrada.
A função do museu não é halagar ou divertir, mas nutrir a parte intelectual do homem por meio da compreensão.
O público deseja saber sobre o que trata a obra, e
Platão questionava sobre o que o sofista nos torna eloquentes.
A maioria das obras de arte antigas trata de Deus, tema frequentemente evitado em círculos educados contemporâneos.
A educação museológica deve ser uma instrução em filosofia, ontologia e teologia, provendo um mapa para a vida cotidiana.
A abordagem antropológica é superior à estética por reconhecer o conteúdo metafísico das artes populares e folclóricas.
O público deve ser ensinado a exigir lucidez nas obras, compreendendo as doutrinas universais por trás dos símbolos.
Representações egípcias, bizantinas e indígenas da porta solar são recordadores do Deus-porta, transcendendo o universo.
A harmonia era originalmente um termo de carpintaria, e a tradição vê o Pai e o Filho como carpinteiros que ordenam o mundo.
Deve-se distinguir entre a educação visual das aparências e a iconografia das coisas invisíveis que guiam a ação.
O sucesso do educador reside em minar a lealdade do público aos métodos de manufactura contemporâneos em favor da verdade antiga.
O que é feito apenas para o prazer é um brinquedo para a parte passiva do homem, enquanto a arte real educa no amor ao ordenado.
O público deve questionar se a obra é verdadeira e para que utilidade serve.
Artefatos superiores só podem ser criados por trabalhadores livres e responsáveis pelo bem da obra.
Estas constatações são deduções lógicas de uma vida dedicada ao estudo da filosofia universal da arte e não meras opiniões.
O homem de museu deve sustentar que não se pode chamar de arte nada que seja irracional.