ISLÃ

Le Temps et l'Éternité

* A teologia escolástica muçulmana (mutakallimun) desenvolveu um atomismo temporal, no qual o tempo é composto de átomos (ahoras) inextensos e sucessivos, separados por vazios, e a causalidade é substituída pela ação direta e momentânea de Allah, único agente real, criando e recriando continuamente os acidentes que não duram dois átomos de tempo.

* Macdonald, baseando-se em Maimónides, apresenta o atomismo islâmico (ash'arita) como uma doutrina de átomos de espaço e tempo inextensos, com posição mas sem volume, separados por vazio absoluto, numa sucessão de momentos que não se tocam, aniquilando a causalidade e a maquinaria do universo; no entanto, esta visão é irracional e ingriega, e não representa a doutrina sufi do tempo.

* Em contraste com o atomismo dos mutakallimun, a doutrina sufi (tasawwuf) do tempo, exposta por al-Hujwiri no Kashf al-Mahjub, concebe o “tempo interior” (waqt) como aquilo pelo qual o homem se torna independente do passado e do futuro, um estado presente (andar waqt) de felicidade com Deus, onde o “Tempo” é uma espada cortante que separa as raízes do passado e do futuro.

* Jami, nas Lawa'ih, resume a doutrina de Ibn al-'Arabi: o universo consiste em acidentes de uma única substância (a Realidade subjacente), que se renova incesantemente em cada momento e sopro, sendo um universo aniquilado e outro em sua semelhança ocupando seu lugar, numa sucessão tão rápida que engana o espectador, que crê numa existência permanente; a revelação (tajalli) do Ser Verdadeiro jamais se repete em dois momentos sucessivos sob o mesmo fenômeno.

* Rumi, no Mathnawi, expõe a doutrina sufi da renovação momentânea do mundo a cada sopro (nafas), imperceptível devido à rapidez da ação divina, que apresenta a longa duração como uma aparência; a causalidade, porém, opera continuamente, encadeando eventos passados e futuros numa sucessão produtiva onde toda causa é mãe e todo efeito, ao nascer, torna-se causa.