O esoterismo enfrenta uma radical inadequação entre a linguagem ordinária, ligada aos circuitos intelectuais e desgastada pelo uso cotidiano, e a esfera do Vivant que ele procura evocar.
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Edgar Poe, em Eureka, declara que a palavra Infinito, assim como as palavras Deus e Espírito, não é a expressão de uma ideia, mas de um esforço em direção a uma ideia.
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Virgil Gheorghiu oferece a imagem de que a escrita assemelha-se a um sepultamento da substância divina, e a leitura bem-sucedida é uma ressurreição dessa realidade sutil.
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O esotericista se exprime por aproximações, alusões, imagens e símbolos, sabendo que a linguagem não expressa, mas orienta para o inexprimível.
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Mircea Eliade, em seu livro sobre o Yoga, a propósito do tantrismo, descreve a possibilidade de abolir a linguagem profana em favor de uma linguagem intencional que comporta toda uma gama de sentidos para religar os diversos níveis do real.
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Novalis é citado como demonstrador magistral de que essa linguagem intencional é o fundamento da arte e da poesia.
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Rumi, em Rubaiyat 57, evoca a existência de outra língua além da materna, de outro lugar além do inferno e do paraíso, de outra Alma nos pensadores livres e de outra mina para suas joias puras.
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Os sufis entendem que as verdades espirituais circulam em frequências vibratórias específicas e só se tornam conhecidas àqueles que sabem colocar-se em sua escuta, pelo silêncio, atenção e percepção.
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A Língua sagrada primordial, expressão do Dabar (a Palavra criadora, o Logos), unificava em complexa unidade vibrações, letras, números e símbolos, e se desdobrava simultaneamente em Nomes divinos, sequências luminosas e operativas, poesia, música e magia.
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Catão, citado no Catilina de Salústio (52, 11), proclamava: há muito perdemos o verdadeiro sentido das palavras.
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R.M. Gattefossé, em Les Sages Ecritures, afirma que as línguas escritas e faladas tornaram-se bárbaras por perda do Espírito.
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Para resgatar as palavras, é preciso nutri-las de meditações silenciosas, experiências profundas e riqueza simbólica, e emiti-las e recebê-las em meio transparente.