O futuro engendra necessariamente maravilhas, e a pressão crescente das forças negativas, por reação, estimula a emergência de uma nova raça espiritual destinada a triunfar sobre o caos.
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Ramakrishna é citado: quem somos nós para fechar a porta do futuro à face do Deus que avança.
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Novalis escreve nos Fragmentos que os evangelhos contêm os traços essenciais de futuros evangelhos superiores.
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A condensação da noite e das névoas e o desencadeamento do fogo negro, por reação, estimulam o crescimento e a cristalização das luzes e a circulação das Energias divinas.
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A atmosfera apocalíptica contribui para o florescimento do Royaume e para a multiplicação do esplendor dos Trinta e Seis Justos.
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O conceito de terceiro reinado, devido a Joaquim de Fiore (1130/45-1202), é apresentado como o tipo mesmo de Ideia-Força impaciente por realizar-se.
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A doutrina das três épocas – do Pai, do Filho e do Espírito – visa mostrar o caráter necessário e urgente do advento do Espírito e preparar a instauração de um novo estado do ser que reflita a perfeição do circuito das Energias divinas.
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O terceiro reinado é definido como a época dos viri spirituales, seres realizados, libertos-viventes, Amigos de Deus e de todos, contemplativos e artistas, vencedores das trevas exteriores.
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A realização desse arquétipo deve ocorrer imediatamente, no presente, pela disciplina do Coração, que é o centro do esoterismo.
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A Ideia-Força do Cristo em marcha, enraizada no joanismo e no tomismo e desenvolvida sistematicamente por Berdiaev e Teilhard de Chardin e seus continuadores, representa a tomada de consciência cada vez mais rápida e profunda do ser humano de sua essência divina de Filho do Altíssimo e de sua função criadora e mediadora no mundo.
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Nikolaus Lenau, em Die Albigenser (1842), escreve que o Cristo total ainda não se manifestou na terra e que a figura do Homem-Deus deve ainda ser completada.
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Berdiaev, em Le Sens de la création, distingue o espírito de obediência, que vê apenas o Crucificado, do ato criador livre como princípio cristológico da realização humana, e anuncia uma terceira revelação em Espírito que se cumprirá no homem como revelação antropológica.
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A especulação teilhardiana sobre a energética crística e a cristogênese é apresentada como admirável amplificação do mesmo tema.
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No mundo islâmico, Hasan II proclamou em 8 de agosto de 1164 a Ressurreição das Ressurreições (Qiyamat al-Qiyamat), o advento de um islã espiritual puro, liberado da servidão da Lei, implicando a ressurreição pessoal de cada adepto.
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A doutrina da Ressurreição propõe o fim dos cultos exteriores, a interiorização total da religião no Coração e a relação imediata com o Senhor do ser, e a ressurreição se dá no momento em que o homem, erguendo-se para o Céu (qiyamat, derivado de qa'im, estando de pé), reúne-se a Deus no hic et nunc.
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A Lei não é abolida, mas ultrapassada por cima, transcendida, o que é o objetivo de todo esoterismo autêntico; e esse é também o caminho para a unidade transcendente das religiões, distinta do ecumenismo confuso e dos sincretismos de ressonância psíquica.