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Sobre o papel necessário dos grandes homens e das elites na criação, no desenvolvimento, na manutenção ou nas mutações de toda a comunidade importante de vida e de cultura, afluem os testemunhos da experiência, dos filósofos da história, dos pensadores e dos poetas.
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Entre os filósofos da história da época moderna e contemporânea, mencionam-se J.-B. Vico, Hegel, O. Spengler com O Declínio do Ocidente, José Ortega y Gasset com A Revolta das Massas, Arnold J. Toynbee com Um Estudo da História, Gonzague de Reynold com A Formação da Europa, Raymond Aron com Dimensões da Consciência Histórica, Karl Jaspers com Origem e Sentido da História, Lucien Duplessy com O Espírito das Civilizações, Paul Rostenne com Deus e César: Filosofia da Civilização Ocidental, Luis Diez del Corral com O Rapto da Europa, Jacques Leclercq com Nós Outras Civilizações… e Guy Dingemans com Psicanálise dos Povos e das Civilizações, devendo-se assinalar particularmente os brilhantes expositivos de Toynbee sobre a natureza e a evolução das “minorias criadoras” e os juízos equilibrados de J. Leclercq sobre a função das elites e o contributo das massas.
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Entre os que refletiram sobre a condição humana e as mutações das sociedades, notam-se Nietzsche, V. Pareto, R.
Guénon,
Bergson, P. Valéry, H. de Keyserling, Max Scheler com O Santo, o Génio, o Herói, N. Berdiaeff, C.G. Jung com Presente e Futuro, Ernst Jünger com Heliópolis, R. Abellio com Rumo a um Novo Profetismo, Shrî Aurobindo, G. Friedmann com O Poder e a Sabedoria, H.
Corbin e G. Durand.
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Hermann Hesse, cujo esplêndido romance O Jogo das Contas de Vidro se encontra inteiramente consagrado ao problema das elites, faz a observação, de ressonância toda romana, de que “a história social tem sempre por motor a tentativa de constituir uma aristocracia, sendo esse o seu cume e a sua coroação, e parecendo que uma espécie de aristocracia qualquer, de reino dos melhores, seja sempre o objetivo e o ideal verdadeiros, se não sempre confessados, de todas as tentativas feitas para constituir uma sociedade”.
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Para os poetas, no sentido mais lato do termo, nomeiam-se Hölderlin, Novalis, Victor Hugo, A. de Vigny, Baudelaire, Milosz, Stefan George, Rilke, Patrice de la Tour du Pin com Suma de Poesia e Pierre Emmanuel.
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D.H. Lawrence, no seu romance A Serpente Emplumada, de maneira eminentemente poética, faz expor pelo seu herói, Ramon, a concepção de uma “aristocracia universal”, que recorda as ideias de Cícero, de Horácio, de Virgílio e de Sêneca, ao afirmar: “Precisamos de uma aristocracia, não é verdade? (…) As folhas de uma árvore, por maior que seja, não podem pendurar dos ramos de outra árvore; e do mesmo modo, as raças deste mundo não podem nem misturar-se nem confundir-se. (…) Só as flores se podem misturar entre si, e a flor de cada raça é a aristocracia natural, a elite dessa raça. O espírito do mundo pode voar de flor em flor como um beija-flor e fertilizar lentamente as florações das grandes árvores. Só a aristocracia natural pode elevar-se acima da sua raça, só ela pode ser internacional, ou cosmopolita, ou cósmica. (…) Então, enquanto flores, partilhamos o mesmo mistério com as outras flores, um mistério para além do saber das folhas, dos ramos e das raízes”.