Terceiro ponto: No mundo moderno, aqueles que combatem as doutrinas da imanência e que se concebem “defensores do Ocidente” contra o “panteísmo oriental”, normalmente tomam a “transcendência” como o seu ponto de referência e como a sua palavra de ordem.
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A sua transcendência é, no entanto, muito relativa, uma vez que procede do conceito teológico-teísta predominante.
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Mesmo neste o Budismo encontra uma pedra de toque para as vocações.
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Já vimos que o Príncipe Siddhattha foi induzido a divulgar o seu conhecimento depois de reconhecer que, lado a lado com seres comuns, existem mais nobres e “muitos que consideram que o entusiasmo por outros mundos é mau”.
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A Doutrina do Despertar é apresentada como uma doutrina que ensina os homens a tornarem-se livres não apenas do “eu” material, mas também do “eu” imaterial e espiritual.
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Qualquer forma de conduta moral e qualquer prática ou rito cujo motivo é a esperança numa continuação póstuma da personalidade é considerado como outra das amarras inferiores.
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Assim, para além de uma ralé de penitentes desencorajados, inquietos, obtusos e não viris, os textos falam de ascetas e sacerdotes que “por medo da existência, por ódio à existência, andam à volta da existência, quase como um cão, amarrado com uma trela a uma coluna sólida ou preso a um poste, anda à volta desta coluna ou poste”.
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As palavras tornam-se mais fortes quando tratam daqueles ascetas ou sacerdotes que “professam apego ao além” e que pensam: “Assim seremos depois da morte, assim não seremos depois da morte”, tal como um mercador, indo ao mercado, pensa: “Disto conseguirei aquilo, com isto ganharei aquilo”.
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Plotino, falando contra o conceito moralista, disse: “Não ser um bom homem, mas tornar-se um deus — este é o objetivo”, mas a Doutrina do Despertar vai ainda mais longe.