Não é possível entender a passagem ao significado sem pressupor, em alguma medida, a presença do ato de apreender mesmo em seu antecedente, pois o apreender puramente existencial já é, a seu modo, um compreender.
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A unidade simples está já no início e não pressupõe o ser, mas a este se pressupõe de direito.
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Dado que a forma enquanto valor esteja presente em uma experiência, ela condiciona de direito toda a experiência.
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Onde o momento da necessidade ainda estivesse presente, só poderia sê-lo como elemento do ser ligado ao Eu segundo relação absoluta, isto é, como algo querido e dotado de sentido.
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Onde haja real intervalo entre a forma da experiência e a experiência mesma, isso significa que o Eu não vive no nível do valor e é, em certa medida, exterior a si mesmo.
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Nada poderia ser experimentado que não incorpore já, em algum grau, o momento do valor, sendo a participação no valor a condição transcendental para a possibilidade de toda certeza e conhecimento.
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Apresenta-se assim um conceito de “categoria” que vai além do conceito incompletamente formal de
Kant e do conceito completamente formal, mas exaurido no plano do sujeito puramente gnoseológico, do idealismo absoluto pós-kantiano.
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Georg Simmel é evocado pela definição de filósofo como aquele que possui um órgão de reação para a totalidade do ser.
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O órgão cuja reação define o Eu como indivíduo absoluto desloca o centro próprio ao nível do valor, determinando uma potência ulterior do princípio transcendental condicionador de certeza e experiência.
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Revela-se uma afinidade entre esse ponto de vista e as formas mais altas de ascese, pois no asceta trata-se de uma tomada de posição vivente diante de toda a vida e da experiência na totalidade de suas formas reais e possíveis.
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O problema do valor pode surgir em um mundo onde a simples existência esgota a validade em sentido genérico, mas essa ordem de vida passiva pode representar ela mesma uma solução do problema.
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Nessa situação, o que é de fato vale como tal, sem mediação ulterior, e a presença, enquanto simplesmente presença, contém o critério da validade.
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Tal situação pode ser considerada como negação do problema, pois o Eu não está determinativamente presente na relação incondicionada que a define.
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Cabe perguntar se essa ausência do Eu é originária ou reflete um significado particular por proceder da natureza especial de uma relação absoluta na qual a situação pode ser assumida.
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No limite do puro dado existencial, apresenta-se uma ambiguidade ela mesma significativa, que permite afirmar que o problema do valor contém em si sua própria mediação.
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O ponto do surgimento do problema constitui um início absoluto, pois junto ao “ser” o problema não é posto.
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Se o problema é posto, o ser enquanto ser não é mais posto, aparecendo não como antecedente, mas como possibilidade de valor condicionada e dissolvida por uma relação absoluta.
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O não pôr-se do problema só pode valer como uma solução particular e tudo permaneceria fechado em um círculo.
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A única resposta possível para como o problema pode em geral se pôr é o reenvio ao ato de absoluta liberdade, ato do qual não se deve buscar uma razão ulterior, pois todas as razões vêm depois.
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Quando a vontade de valor é posta, o Eu é liberado do mundo e toda condicionalidade é suspensa, mas simultaneamente toda coisa vai gravitar sobre o Eu, que se torna um centro de responsabilidade universal.
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No círculo que o Eu traçou ao pedir certeza absoluta e valor, toda matéria deve sublimar-se até a completa transparência.
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Resta analisar e explicitar tudo o que se conecta a tal reviravolta.