A existência histórica de uma ars amandi, ou arte do amor, atesta que o cultivo da experiência erótica não se reduz necessariamente à depravação, tendo sido praticada e respeitada em certas culturas, nas quais suas detentoras eram equiparadas a outros artistas e por vezes associadas a cultos religiosos.
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A ars amandi antiga e oriental não consistia em meras técnicas para a luxúria, mas sim numa arte respeitada.
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Na Antiguidade Clássica, heteras eram estimadas por figuras ilustres e homenageadas com templos e estátuas, ao lado de heróis e políticos.
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No Japão, algumas mulheres peritas nessa arte foram celebradas em monumentos.
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A arte amorosa tradicional, como outras artes, provavelmente envolvia uma ciência secreta, frequentemente ligada a cultos específicos.
O desenvolvimento das potencialidades superiores da experiência erótica não ocorre espontaneamente em suas formas grosseiras, sendo crucial distinguir entre uma ars amandi que aprofunda a dimensão do eros e outra que degenera na busca exterior do prazer, lembrando que a técnica, por si só, é ineficaz sem as premissas internas adequadas.
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A experiência erótica entregue à sua espontaneidade bruta não desenvolve suas formas mais elevadas.
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A questão central é saber se a experiência erótica mantém sua dimensão profunda ou se degenera na procura libertina do prazer.
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Técnicas amorosas voltadas apenas para o prazer são inócuas sem a base psíquica e interna adequada.
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Com as premissas internas corretas, um simples contato pode ser mais intenso do que a manipulação técnica de zonas erógenas.
A análise dos pontos de vista sexológicos materialistas sobre o prazer mostra-se útil para libertar a compreensão do eros dessas explicações redutoras, confirmando a necessidade de colocar o termo “prazer” entre aspas ao designar o ápice do amor físico.