O fato de a mulher, no mito e na lenda, ser conquistada apenas após lutas e provas que forjam a qualidade viril heroica e a “fidelidade” imaterial confirma essa significação espiritual, difundindo, com esse simbolismo presente em quase todos os povos, uma tradição de espiritualidade viril, de preferência dirigida à casta guerreira, cuja antítese encontra-se em Lutero, para quem a personalidade humana é a mulher que, diante do “esposo divino”, é a “mais contaminada das criaturas”, a “prostituta”, que não deve tomar iniciativa alguma.
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A conquista da mulher após lutas e provas confirma a significação espiritual.
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Essas provas forjam a qualidade viril heroica e a “fidelidade” imaterial.
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Difunde-se uma tradição de espiritualidade viril, dirigida à casta guerreira.
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A antítese encontra-se em Lutero, para quem a personalidade humana é a mulher passiva diante do “esposo divino”.
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Para recordar essa tradição espiritual latente na Idade Média, encontra-se em Francesco da Barberino o símbolo da “Viúva” ou da “Virgem” assediada ou aprisionada, que remete ao símbolo gibelino do imperador jamais morto, que vive oculto ou em letargia à espera da hora de manifestar-se ou despertar, sendo que a chegada do Herói libertador que desposa a “Virgem” ou a “Viúva” real tem a mesma significação.
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Francesco da Barberino usa o símbolo da “Viúva” ou da “Virgem” assediada ou aprisionada.
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Esse símbolo remete ao do imperador gibelino jamais morto, em estado de letargia.
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O imperador aguarda a hora de manifestar-se ou despertar.
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A chegada do Herói libertador que desposa a “Virgem” ou a “Viúva” real tem a mesma significação.
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Essa literatura “fabular” medieval dirige-se menos aos estetas do que a uma ordem militante universal, a cavalaria, e, na prática, a homens particulares, aos gibelinos em armas que formavam a maior parte dos “Fiéis do Amor”, especialmente na Itália.
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A literatura “fabular” medieval dirige-se à cavalaria, uma ordem militante universal.
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Dirige-se, na prática, aos gibelinos em armas.
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Os gibelinos formavam a maior parte dos “Fiéis do Amor”, especialmente na Itália.
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Trata-se, portanto, de referências que não têm apenas interesse de curiosidade, mas de chaves para reencontrar, numa vasta matéria e num mundo quase inexplorado, significações que ainda hoje podem ser intensamente vividas.
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As referências não têm apenas interesse de curiosidade.
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São chaves para reencontrar significações numa vasta matéria inexplorada.
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Essas significações podem ainda hoje ser vividas intensamente.