A civilização medieval resultou de três elementos: o nórdico-pagão, o cristão e o romano, tendo o elemento nórdico um papel decisivo na ética, no modo de vida e na constituição social, mas apresentando uma involução no que respeita às suas tradições espirituais, que se encontravam em estado de latência, com ecos fragmentários da Tradição nórdico-hiperbórea primordial.
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O elemento nórdico-pagão foi decisivo para a ética cavaleiresca e a constituição social feudal.
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Embora portador de valores superiores, o elemento nórdico apresentava uma involução espiritual.
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As tradições nórdicas da época eram apenas ecos fragmentários da Tradição primordial, em estado de latência.
O contacto com o Cristianismo e com o símbolo de Roma atuou de forma galvanizante sobre a substância nórdica, reavivando o sentimento de transcendência e oferecendo a ideia de um regnum universal, o que integrou o ethos guerreiro e promoveu um avanço para um ciclo de restauração heroica, transformando o simples guerreiro em cavaleiro e o príncipe de uma raça em imperador sacral e ecumênico.
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O Cristianismo reavivou o sentimento de transcendência, e o símbolo romano ofereceu a ideia de um poder imperial universal.
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Esse contacto integrou a substância nórdica e deu pontos de referência superiores ao seu ethos guerreiro.
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Resultou numa evolução que transformou o guerreiro em cavaleiro e o príncipe em imperador sacral.
Este renascimento e transformação de forças requeriam um centro supremo de cristalização, mais alto que a ideia cristã romanizada e que a ideologia política do Império, centro que se apresentou no mito da realeza do Graal, cujo tema fundamental expressa o problema mudo da Idade Média gibelina: a necessidade de que um herói com “duas espadas” ponha a questão que vinga, cura e restaura a potência da realeza.
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O mito da realeza do Graal ofereceu o centro supremo de integração necessário.
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O tema fundamental desse ciclo é a necessidade de que a questão seja posta por um herói.
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A questão a ser posta é aquela que vinga, cura e restaura a realeza.
A Idade Média esperava o herói do Graal para que o chefe do Sacro Império se tornasse uma imagem do “Rei do Mundo”, dando novo impulso às forças, fazendo a Árvore Seca florescer e instaurando uma ordem solar, onde o imperador invisível fosse também o manifesto, dando à Idade Média o sentido de uma Idade do Centro.
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O herói do Graal tornaria o chefe do Império uma imagem do “Rei do Mundo”.
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Isso faria triunfar uma ação absoluta sobre todas as usurpações e antagonismos.
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A Idade Média teria, assim, o sentido de uma Idade do Centro.
A sensação de que algo impede o autor de falar nas aventuras dos heróis do Graal, onde uma resposta banal cala a verdadeira, aponta para o verdadeiro sentido da questão: não se trata de saber o que são os objetos, mas de sentir a tragédia do rei ferido e, após a realização interior simbolizada pela visão do Graal, tomar a iniciativa da ação absoluta que restaura, sendo a indiferença por esse problema a falta do herói.
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A verdadeira resposta sobre o Graal é calada por respostas banais nas narrativas.
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A questão fundamental é sentir a tragédia do rei ferido e tomar a iniciativa da ação restauradora.
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A indiferença do herói por este problema, após ter conhecido o Graal, é a sua falta.
Historicamente, o reino do Graal que alcançaria novo esplendor é o próprio Império, e o herói do Graal que se transformaria no “Senhor de todas as criaturas” é o Imperador histórico que realizasse o mistério do Graal, transformando-se ele próprio no Graal, como em textos onde o cavaleiro pergunta diretamente ao rei “Onde está o Graal?”, questionando o poder que este deveria representar.
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O reino do Graal que seria restaurado é o próprio Império.
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O herói do Graal que realizasse o mistério seria o Imperador, transformando-se no Graal.
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A pergunta “Onde está o Graal?” questiona o poder que o rei deveria representar, resultando no milagre.
Nesse contexto, fragmentos de remotas tradições atlânticas, célticas, nórdicas e hebraico-cristãs formam um conjunto cujos elementos, como se mostrou, revelam uma unidade lógica para quem penetrar na sua essência.
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Elementos de diversas tradições, como Avalon, Seth, Lúcifer e José de Arimateia, misturam-se.
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Apesar da mistura, esses elementos revelam uma unidade lógica em sua essência.
Durante cerca de um século e meio, o Ocidente cavaleiresco viveu intensamente o mito da corte de Artur e da busca do Graal, num clima histórico que saturava e que, ao despertar uma tradição heróica ligada a uma ideia imperial universal, suscitou forças inimigas e provocou um choque com o Catolicismo.
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O mito arturiano e a busca do Graal saturaram o clima histórico do Ocidente cavaleiresco.
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Esse despertar de uma tradição heróico-imperial suscitou forças inimigas.
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O choque resultante deu-se com o Catolicismo.
A verdadeira razão da oposição da Igreja ao Império foi a sensação instintiva da natureza da força que ganhava terreno por detrás do espírito cavaleiresco e da ideia gibelina, enquanto os defensores do Império tinham apenas consciência parcial do verdadeiro fim, o que gerou o drama do gibelinismo medieval, da grande cavalaria e, em particular, da Ordem dos Templários.
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A Igreja sentiu instintivamente a verdadeira natureza da força por trás do movimento gibelino.
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Os defensores do Império tinham apenas consciência parcial do objetivo a alcançar.
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Desse descompasso resultou o drama do gibelinismo, da cavalaria e dos Templários.