C. Mauclair, em sua teoria magnética do amor, ultrapassa a antítese entre físico e espiritual ao situar a experiência erótica em plano intermediário de fusão, esclarecendo a hiperestesia do casal e o caráter inexplicável da escolha amorosa em consonância com ensinamentos tradicionais sobre a estrutura magnética do Eros.
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Mauclair supera a oposição entre carne e alma.
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O amor ocorre em plano onde físico e espiritual se interpenetram.
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A hipótese magnética explica a hiperestesia do casal.
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Qualidades objetivas subordinam-se a razão essencial magnética inexplicável.
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Lolli distingue o amor magnético dos amores platônico e sensual.
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Ausente o “fluido”, extingue-se o amor, restando afeto ou hábito.
Os amantes desenvolvem espontaneamente técnica para ativar e sustentar essa magia, processo que Stendhal denominou “cristalização” e que corresponde psicologicamente ao monoideísmo ou imagem coativa, concentração obsessiva definida por Andreas Capellanus como agonia proveniente de meditação extrema sobre pessoa do sexo oposto.
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A magia pode ser cultivada e intensificada pelos amantes.
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A “cristalização” expressa concentração imaginativa sobre a amada.
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Psicologicamente configura monoideísmo ou imagem coativa.
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A concentração impõe-se de modo automático e pouco racionalizável.
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Perguntas recorrentes entre amantes revelam função de medida do amor.
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Andreas Capellanus caracteriza o amor como agonia derivada de meditação extrema.
Eliphas Levi interpreta a fascinação amorosa como embriaguez produzida pela congestão da “luz astral”, identificada à Lux naturae de Paracelso, ao âkâça hindu e ao aor da cabala, fundo hiperfísico da vida cuja ativação engendra imaginação mágica essencial à dinâmica entre os amantes.
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O encontro das atmosferas magnéticas gera embriaguez de luz astral.
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A luz astral corresponde ao fundo hiperfísico da vida.
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A congestão dessa luz constitui contrapartida objetiva da exaltação.
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Pode ser experimentada em estados não ordinários de consciência.
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A imaginação mágica atua mais decisivamente que o pensamento discursivo.
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Definições de Chamfort e expressões como “sonho de amor” indicam desvio exaltado da consciência.