No plano afetivo, este chakra vincula-se à esperança, à ansiedade, ao remorso e à hesitação, sendo simbolizado por um antílope negro que representa a velocidade imaterial do vento.
O vishuddha-chakra, situado na garganta ao nível da laringe, possui dezesseis pétalas brancas e brilhantes associadas ao elemento éter e ao sentido da audição.
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Mandala circular simbolizando a espacialidade do tattva akasha
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Mantra HAM como núcleo vibratório
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Relação com a expressão da energia vital e a boca
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Conexão entre o éter e a consciência espacial transparente em oposição à densidade
Este centro é a morada do deus andrógino Sadashiva e da divindade Sakini, representando o limiar da grande libertação e o domínio sobre as três dimensões do tempo.
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Sadashiva como alusão ao ser eterno e à condição fora do samsara
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Natureza fria e luminosa de Sakini como luz autossuficiente
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Visão do atma em todas as coisas a partir deste estágio etéreo
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Representação do mantra HAM por um elefante branco
As forças afetivas correlatas incluem a afeição, o respeito, a devoção, a felicidade e o pesar nas relações interpessoais.
O ajna-chakra, localizado entre as sobrancelhas e correspondente ao plexo cavernoso, possui duas pétalas brancas e representa o centro de comando e a sede da visão clarividente.
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Mantra AUM como som primordial deste centro
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Relação com o cerebelo, a medula e o órgão interno da inteligência
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Conexão com a sukshma-prakriti ou raiz das potências sutis da natureza
Neste centro, a deusa Hakini une-se a Paramshiva, manifestando a força do terceiro olho de Shiva como um raio que possibilita a visão transcendente e cíclica.
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Presença da deusa inebriada pelo néctar da imortalidade
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Simbolismo do vajra ou diamante no interior do triângulo genital
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Visualização do antaratma como chama brilhante acima do linga
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Espaço infinito e resplandecente contido no bindu lunar
Os textos tântricos identificam dois centros menores próximos ao ajna: o manas-chakra, ligado às faculdades mentais e imaginativas, e o soma-chakra, associado ao pensamento lógico e ao autocontrole.
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Perigo de alucinações e clarividência caótica no despertar do manas-chakra
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Soma-chakra como sede da compaixão, generosidade e determinação
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Atribuição da seriedade e da renúncia a este nível cerebral superior
A região da testa abriga um lótus de doze pétalas associado aos tattvas puros, onde se realiza a união suprema entre Shiva e Shakti e a percepção do hamsah eterno.
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Residência sem fundamentos como símbolo do poder autossustentado
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Triângulo a-ka-tha representando a tríade transcendental
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Realização das sete formas do corpo causal pelo iogue
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Manifestação do mestre eterno sobre um altar de gemas vermelhas
O sahasrara-chakra, situado acima da cabeça, é o lótus de mil pétalas que representa a transcendência incondicionada e a união final onde a Shakti se dissolve inteiramente em Shiva.
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Número mil simbolizando a potencialização das letras do alfabeto sânscrito
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Parabindu como ponto supremo sob o aspecto do vazio absoluto
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Resolução da Shakti em chidrupini, livre de resíduos condicionados
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Correspondência ao mahasukha-kaya ou corpo de grande beatitude
Localizado fora dos limites físicos do crânio, o sahasrara-chakra não é um centro corporal comum, mas a dimensão que ultrapassa o universo manifestado.
A descrição tântrica revela que cada chakra abriga formas de consciência e divindades que presidem funções orgânicas, estabelecendo uma base para o conhecimento dos elementos por meio da meditação.
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Correspondência entre os cinco centros inferiores e os elementos da natureza
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Utilidade prática dos mantras para facilitar o despertar dos centros
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Função da iconografia divina na preparação do caminho ióguico
O despertar de um chakra permite a desmitologização das divindades associadas, revelando sua essência como estados amorfos de conhecimento iniciático.
A hierarquia dos sete chakras encontra paralelo em diversas tradições iniciáticas, como os mistérios de Mitra e a alquimia, simbolizando a ascensão da consciência através de esferas planetárias e planos suprafenomênicos.
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Experiência de expansão cósmica em oposição à mera psicologia
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Apropriação de corpos divinos e posse de assentos celestiais (lokas)
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Correspondência entre a kundalini e a ascensão pelas sete esferas
Cada chakra desperto confere um tipo de conhecimento específico sobre as leis da natureza e as disposições alheias, permitindo ao praticante o domínio mágico sobre os elementos externos.
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Conhecimento do caráter humano através do plexo solar
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Percepção de pensamentos e sentimentos alheios via centros cardíaco e laríngeo
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Unidade ontológica entre os princípios internos e as forças do mundo exterior
A simbologia da kundalini guarda estreita relação com tradições ocidentais e egípcias, manifestando-se no ureus real, no basilisco dos filósofos e na via seca do hermetismo.
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O serpente na fronte dos reis egípcios como símbolo da força vital
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Fogo transmutador do hermetismo como referência ao despertar da serpente
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Persistência de correspondências universais acerca do centro basal muladhara