O simbolismo de Janus transcende a representação solar para tocar o domínio da iniciação e do renascimento interior, mantendo paralelos com os mistérios antigos e até com a simbologia adotada posteriormente pela Igreja Católica.
-
O conceito de passagem pela porta encarna a ideia de um renascer transcendente, objetivo central de todo processo iniciático.
-
A distinção entre os pequenos mistérios telúricos e os grandes mistérios celestes encontra correspondência no simbolismo da dupla chave e do duplo rosto de Janus.
-
Elementos como a barca solar e a chave iniciática foram reabsorvidos pela estrutura simbólica da Igreja Católica em períodos posteriores.
A porta entendida como mundus funcionava na Roma antiga como o ponto de acesso a forças invisíveis e metafísicas que exigiam uma abertura da alma capaz de conduzir tanto à destruição quanto à deificação.
O rito de abertura das portas do templo de Janus em tempos de guerra reflete a concepção sagrada do conflito nas civilizações arianas como um desabafo de forças sobrenaturais profundas.
-
A guerra para romanos, espartanos, nórdicos e hindus era entendida como um estado de comunhão com o plano elemental e metafísico.
-
O guerreiro que perecia no combate realizava um sacrifício divino denominado mors triumphalis, garantindo frutos de ordem sobrenatural.
O triunfo romano possuía uma natureza essencialmente sagrada e iniciática na qual o vencedor era reconhecido como aquele que atravessou o limiar e alcançou uma transformação interior divina.
O resgate de mitos e símbolos antigos possui a função vital de despertar a força formativa das origens que permanece indestrutível no subconsciente de uma raça vinculada à tradição.