Para ser mais preciso, pode-se notar que o “corpo imortal” é chamado “triplo corpo” e que aquele que o veste é dito o “Senhor dos três Mundos”.
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No plano técnico, o ponto de partida é o estado de “nudez” e de “individualidade” realizado através da morte iniciática e transferido, desde os estados extracorpóreos, ao estado de consciência ordinária no mago.
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A primeira operação consiste então em superar o estágio da consciência que toma apoio no cérebro e elevar-se a uma relação direta com aquilo de que o mundo dos pensamentos, das representações e mesmo das emoções não representa senão um simples reflexo edulcorado e fragmentário.
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A este fim, é preciso proceder à “extração do mercúrio” que é, em primeiro lugar, a realização do estado “sutil” ou “fluido” que faz de mediador entre os dois mundos: o da exterioridade lunar e o da imanência solar.
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Graças a este estado, é possível tomar contato com forças profundamente enterradas no organismo — sucessivamente no sistema sanguíneo, no sistema glandular, no sistema reprodutivo — e que têm esta dupla correspondência: 1) reino animal — reino vegetal — reino mineral e 2) estado de sonho — estado de sono — estado de morte aparente.
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Digamos, para tornar mais clara esta correspondência, que os símbolos ou “nomes” que despertam (transformando em supraconsciência o que é o sonho para o homem comum, por exemplo) revelam, ao fazê-lo, os “arquétipos” das diferentes espécies animais: a saber, os “seres” que reinam sobre elas — os indivíduos particulares sendo de algum modo apenas os corpúsculos dos seus “corpos”.
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Tal é o significado dos animais sagrados ou vivos aos quais se faz alusão (que se faz corresponder, em regra geral, aos doze signos do zodíaco) e que o iniciado “desposa”, isto é, possui, apondo por estas “núpcias” o selo sobre o seu primeiro corpo.
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O mesmo se dá para os outros dois estágios, dos quais o último é aquele onde age a força criadora originária, ou dragão (aquele que o Sepher Yetsira situa “ao centro do universo, como um Rei no seu trono”), ou Fogo Sagrado, Ur, kundalini.
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Transmitida a outros “centros”, ela está na origem da hierarquia setenária e isto significa que a ressurreição mágica se estende ao plano transcendental, “celeste” — o qual rege os elementos naturais — tornando-a absoluta.