A teoria hormonal, ao explicar a excitação como intoxicação, incorre no mesmo erro de confundir a causa favorável (o terreno hormonal) com o conteúdo específico da experiência, pois a reação às hormonas, tal como a reação ao álcool, depende de uma “equação pessoal” que as transcende.
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A teoria hormonal tenta explicar a excitação como intoxicação hormonal, base de toda a paixão.
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Para não cair em círculo vicioso, seria preciso esclarecer a causa da intoxicação hormonal, que pode ser psiquicamente condicionada.
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As hormonas, como o álcool, apenas fornecem um terreno favorável, cuja reação depende da “equação pessoal”.
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Confundir a condição favorável com a causa determinante é um raciocínio ingênuo, análogo a atribuir à abertura de comportas a causa da água que jorra.
A teoria psicanalítica da libido, embora acerte ao reconhecer o caráter psíquico autônomo do impulso sexual e sua independência dos processos fisiológicos, falha ao tratar o prazer específico como um fenômeno negativo de alívio da tensão, aproximando-se da teoria fisiológica de Féré e reduzindo a satisfação a um mero apaziguamento, o que pode refletir uma visão decadente do eros.
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A psicanálise acerta ao reconhecer a libido como psiquicamente autônoma e nem sempre ligada à fisiologia, como nos estádios pré-genitais.
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A teoria psicanalítica do prazer, porém, equipara-se à de Féré ao considerá-lo um fenômeno negativo de alívio de tensão.
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Tanto na visão fisiológica quanto na psicanalítica, o prazer sexual reduz-se à eliminação de um estado desagradável (tumescência ou tensão da libido).
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O termo alemão Befriedigung, com seu sentido de apaziguamento, sugere que essa concepção pode ser um produto de uma época em que o eros se tornou primitivo e meramente físico.
O desejo sexual é um fenômeno complexo no qual o fisiológico é apenas uma parcela, sendo a excitação psíquica a provocadora da excitação física; apenas uma metafísica do sexo poderá esclarecer o assunto, permitindo desde já inferir que o ato físico é o mecanismo de um processo superior, fora do qual o “prazer” como satisfação carnal isolada é uma solução problemática.
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O desejo sexual é complexo, com o fisiológico sendo apenas uma parte do processo.
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A excitação psíquica provoca e comanda a excitação física e seus fenômenos.
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Nem a psicologia nem a fisiologia, mas apenas uma metafísica do sexo poderá esclarecer o assunto.
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A união física é o mecanismo que serve de suporte a um processo de ordem superior que a engloba.
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O “prazer” reduzido à satisfação carnal e dependente de condicionalismos físicos é uma solução problemática.