O atributo por excelência de Hermes é o caduceu, idêntico primitivamente à virga latina e ao rhabdos helénico (= varinha), sendo Caduceum o mesmo vocábulo que o grego Kerykeion (= emblema do Keryx, isto é, do arauto); em sua forma mais simples, é um ramo de árvore sagrada cujo mana transcendente, subjacente à aparência física, se comunica aos neófitos pelos golpes, pois a fustigação, parte integrante de todas as iniciações, nunca teve por objeto fazer sofrer ou castigar os noviços, mas incorporar-lhes a energia dinâmica própria a um ser divino (um vegetal, ou um animal, se o chicote é feito de tiras de couro); quando o sangue corre e o objeto sacro fustigador entra em contato com ele, a santificação é mais íntima e mais completa; a varinha iniciática, primeiro tipo do caduceu, é verdadeiramente uma varinha de ouro, faz penetrar no mundo ultrafísico quem ela toca, adormece os sentidos físicos, desperta a alma, encanta, atrai, guia, como uma espécie de ímã que faz surgir e circular nos homens as correntes da sobrenatureza; termina às vezes por uma flor, dois ramos, dois cotilédones, uma cruz, mais raramente por bandelettes que acentuam seu caráter sacrossanto (transformado mais tarde em caráter sacerdotal); na poesia homérica, essa varinha é a não só de Hermes, mas também de Atena e da grande iniciadora Circe, que numa dessas ilhas de mulheres diviniza os homens transformando-os em homens-porcos; o cetro dos arautos e dos reis se distingue, em Homero, desse rhabdos, embora tenha, sem dúvida, exatamente a mesma proveniência ritual.