Nos grupos sociais onde a influência do matriarcado permaneceu por longo tempo preponderante, tratou-se de uma superfemme androgyne: nas religiões sírio-fenícias, a Grande Deusa Astarté foi uma divindade bissexuada que comunicou seu androginat ao proto-iniciado que deu à luz, tornando Adônis por consequência um hermafrodita; em Cartago, Dido-Astarté foi igualmente homem e mulher ao mesmo tempo, como o atesta a barba que orna tão frequentemente seu rosto (a Vênus barbue é sempre andrógina), e Dol, o proto-iniciado cartaginês, é bissexuado como Adônis; quanto à Afrodite de Chipre, os dois epítetos que lhe são acrescidos, biformis e arsenothelus (= macho-fêmea), proclamam suficientemente seu androginat; quando as profundas concepções do neolítico cessaram de ser compreendidas e o elemento masculino prevaleceu no bissexuado primordial, imaginou-se um Aphroditos masculino, barbudo e falóforo, que se tornou, como Adônis e Dol, um ser andrógino com tronco de mulher e trajes femininos; segundo Macróbio (Saturn. III, 83), a Lua, antiga Mãe, era considerada em Atenas a um tempo fêmea e macho.