O personagem que conduzia os neófitos à caverna de reclusão onde o Digestor Divinizante os faria morrer era, ele também, à aurora dos tempos históricos, um homem-animal de estatura de gigante, o Grande Caçador, o Grande Monteiro, o Destruidor, reconhecível em todos os países por seu traje metade sombrio metade claro — por exemplo preto e branco, ou preto e vermelho —, cores de significação iniciática evidente, comandando uma matilha de homens-animais que o auxiliavam em sua tarefa de batedor, e que varriam os vilarejos e caminhos rústicos emitindo os gritos próprios a seus disfarces, arrastando todos os que encontravam e por vezes penetrando nas casas para arrancar aos pais os rapazes e as moças em idade de ser iniciados, espalhando um terror inenarrável; um terror que os Gregos chamavam panico — pois o homem-bode Pan dirigia, em certos cantões helênicos, essa aterrorizante sarabanda sagrada — não tem outra origem, tendo sido completamente mal-compreendida quando explicada por considerações de ordem naturista, correspondendo rigorosamente ao espanto que os próprios antepassados sentiam ao encontrar subitamente, de noite, a Caça Selvagem que chamavam de Mesnie Herlequin; em plena Renascença, Ronsard pensou que estava caindo, certa noite, sobre a tropa temível conduzida pelo arquidiabo Hugues, com aspecto de velho usurário de má fama (Cahiers d'Hermes I, p. 24); nessa época ainda recente via-se o cortejo do Grande Monteiro, e o Diabo havia simplesmente tomado o lugar do Grande Caçador transcendente da época neolítica, ser divino que a Caldéia longínqua conheceu sob o nome de Nim-urta (tornado Ninrut, Nimrut, o Nemrod bíblico); nas comunidades mais próximas do matriarcado, foram mulheres que presidiram à Grande Caça, com Hécate e seus cães, Diana e seus animais selvagens, permanecendo célebres a esse respeito.