A estreita associação primitiva de Hermes com a Mãe iniciadora da idade de prata se descobre em outros traços além de sua filiação de Maia: em Atenas, no santuário das Erínnias, sua estatura vizinhava com a de Ge e com a de Plutão, senhor do mundo subterrâneo (Pausânias I, 28, 6); uma antiga inscrição de Elêusis, que menciona as divindades às quais os iniciados dos Mistérios devem sacrificar, cita em primeiro lugar Ge e em segundo Hermes (sendo a vítima prevista uma cabra); Ésquilo, fervoroso iniciado, reúne em orações Ge e Hermes (Persas 629; Coéforas 124-127); numerosos ex-votos em baixo-relevo mostram ao lado de Ge metêr, ou sobre um montante de estelas, um pequeno personagem com caduceu que é seguramente Hermes (ver Daremberg e Saglio, Dict. des Antiq. Gr. et Rom. s. v. Mercurius); a conexão do deus com a Mãe sob sua forma de Mãe Lua é atestada pelo fato de que o emblema do qual é dotado, o caduceu, se encerra, na forma ordinária, por um globo encimado de um crescente, símbolo que era o da Astarté lunar e de Baal; em Arcádia e na Ática, Hermes estava associado a Hécate, essa antiga Mãe que conservou até o fim a seu caráter lunar, seu caráter terrestre e sua qualidade de Rainha do mundo subterrâneo; o vínculo com a Lua é tão normal quanto a relação com a Terra, pois esses foram os dois aspectos fundamentais da Mãe iniciadora do neolítico; em Hermes-crescente reencontra-se essa grande personalidade civilizadora, e a ligação não é de modo algum um detalhe aberrante; estudos anteriores examinaram os dois filhos celestes da Mãe Lua, assinalando que em muitos países a lua clara, ou primeiro crescente, hipostasiou seu mana no proto-iniciador e no proto-iniciado de uma tribo (ver Initiation Sexuelle et l'Evolution Religieuse, pp. 90 e 239-241).