HERMETISMO E DOUTRINAS RELACIONADAS

A REVELAÇÃO PRIMITIVA

Apoiando-se de forma mais ou menos estreita na Cabala e no hermetismo (ou na alquimia), que encerram elementos de doutrina extremamente antigos, constituíram-se, no Ocidente, diversos agrupamentos iniciáticos. O mais sério é a alta maçonaria (com exclusão, naturalmente, da maçonaria política ou de interesses materiais); a Palavra perdida, que simboliza aqui os segredos da alta iniciação, vincula-se certamente a uma tradição muito venerável. Chega-se sempre, de resto, ao mesmo ponto das iniciações mencionadas anteriormente: a Palavra perdida é, com efeito, a vibração criadora, a energia radiante, o fogo-luz, do qual o Verbo constituiu inicialmente as coisas, e que as sensações do mundo opaco atualmente encobrem. Continua-se, assim, a transitar no mesmo círculo de ideias.

O termo maçonaria é, em si mesmo, bem escolhido. A arte dos construtores sempre esteve, de fato, até uma época recente, ligada à arte sacerdotal ou à arte real, pois a construção das cidades e dos templos nunca era deixada ao acaso, mas exigia o conhecimento de regras precisas relativas à orientação e às influências cósmicas. Aqueles que dirigiam os construtores deviam, portanto, conhecer a esse respeito todo um conjunto de noções tradicionais, ou seja, submeter-se a uma iniciação. Entre os romanos, observa René Guénon (em Le Roi du Monde, p. 124), Ianus era simultaneamente o deus da iniciação aos Mistérios e o das corporações de artesãos (Collegia fabrorum). A maçonaria moderna reteve, além disso, em seu vocabulário, a expressão arte real. Quando não é uma simples sociedade de auxílio mútuo ou um organismo de combate, ela é, assim, por essência, independentemente do que se pense, uma igreja, sobrevivência indireta das religiões antigas de mistérios e relíquia de um passado muito remoto.

A quinta-essência dos hermetistas, que é não menos antiga, representa, por sua vez, o elemento primordial e central, inacessível aqui na terra, que subjaz aos quatro elementos da matéria grosseira e forma a única realidade das quatro regiões do espaço aglomeradas ao seu redor; a quinta-essência é, portanto, tal como a Palavra perdida, o fogo-luz, o dinamismo radiante que os andaimes de nossas percepções ocultam.

No que concerne à alquimia, que se confunde, de resto, na maioria das vezes com o hermetismo, ela se reduz, quando despida de seu aspecto ora científico, ora pseudoexperimental — o qual não é de modo algum essencial —, à mesma realidade energética; a estrutura é composta, como demonstrou o americano Hitchcock, de pensamentos filosóficos; e esses pensamentos giram em torno de uma única ideia: atingir o elemento luminoso e imortal enterrado na natureza e em nós mesmos; dominar, se possível, a substância da força, em vez de estarmos reduzidos às suas manifestações extrínsecas.

Quanto à pedra filosofal — que é, ao mesmo tempo, a suprema medicina e o elixir da longa vida —, ela não é outra coisa senão a primitiva bebida da imortalidade. É o que exprime o conhecido adágio hermético: Visita interiora terrae; rectificando invenies occultum lapidem, veram medicinam. Todas as expressões, por vezes tão embaraçosas para o profano, empregadas pelos antigos alquimistas (recipiente, alambique, ovo filosófico, etc.), significam o próprio homem que, por um longo esforço, desprende da gangue grosseira a joia resplandecente, o último elemento divino, velado pela ocultação. Alipili escreve a esse respeito: “Aquele que quer penetrar as profundezas da natureza deve, antes de tudo, aprender o que ele mesmo é; ele cura-se primeiro a si mesmo graças à força divina que está nele; ele transmuta sua própria alma. A pedra, a prima materia, é também o homem; mas o Mercúrio misterioso e suscetível de desenvolvimento, que está no homem, é a consciência, e o mercúrio comum é a consciência em estado bruto”. Th. W. Danzel, que cita esse texto, acrescenta: “Assim, o comportamento confuso e turvo dos alquimistas torna-se subitamente claro e revela-se como uma linguagem imagética plena de sentido. O processo da purificação, da renúncia e da redenção nele se reflete”.