A segunda concepção, considerada a única aceitável, postula que o homem foi colocado originalmente no cosmos da matéria radiante, onde a mente acessava o dinamismo interno dos seres sem a mediação das impressões sensoriais.
-
A queda original consistiu na recusa do homem em integrar-se ao Ser pelo dom de si, resultando em um deslizamento ontológico da pré-natureza para a natureza e da matéria radiante para a visão física e pragmática.
-
O homem abandonou o universo dinâmico para se fixar na visão animal por impressões sensíveis.
-
A modalidade de conhecimento por sensações é, simultaneamente, fruto do primeiro pecado e o castigo contínuo imposto à espécie.
-
O pecado original provocou um afundamento catastrófico do potencial mental humano, tornando a inteligência incapaz de atravessar a bruma das impressões de superfície para atingir o dinamismo das coisas.
-
A necessidade de unir-se ao Ser permanece, mas a potência para alcançá-lo foi perdida.
-
O intelecto vê-se obrigado a percorrer caminhos tortuosos e mecanizados para buscar o que antes lhe era evidente.
-
A condição física atual é interpretada como um estágio de retrocesso e desequilíbrio, definindo o ser humano como uma criatura teratológica que tateia nas trevas em busca da posição inicial fora da qual lhe falta o oxigênio espiritual.
-
O homem atual é uma épave encalhada na matéria opaca por um cataclismo mental.
-
O universo espaço-temporal mecanizado não é plenamente divino, mas o cosmos de Deus desfigurado pelo elemento de não-ser introduzido pela visão de uma criatura caída.
-
A interpretação da fin du monde identifica o término do universo apreendido como físico e o retorno dos centros de consciência ao estatuto radiante original.
-
A segunda concepção da Revelação Primitiva é a única que explica satisfatoriamente o desastre do pecado e a trajetória da história humana.
-
O fim dos tempos representa a restauração da experiência direta do universo transcendente e invisível.
-
A impossibilidade de descrever o reino de Deus através de imagens sensoriais confirma a falha da primeira hipótese e valida o caráter inefável da experiência do Real relatada pelos privilegiados.
-
Sensações conferem uma aparência temporal e espacial estranha ao dinamismo eterno do divino.
-
O abismo entre a linguagem fenomenal e a realidade transcendente é intransponível por vias puramente humanas.
-
O resíduo ininterrupto da Revelação Primitiva é a certeza absoluta de que o mundo das percepções encobre um universo sobrenatural que lhe serve de princípio e suporte.
-
Embora o conteúdo preciso da revelação seja de difícil abordagem, a garantia de um universo radiante subjacente permanece.
-
A reintegração no estado de surhomme é o destino final apontado por esta garantia ontológica.
-
A Revelação Primitiva atua como um ímã que orienta invencivelmente o ser humano para a luz do Ser, impedindo-o de satisfazer-se com o domínio movente e superficial das sensações.
-
O homem busca incessantemente ultrapassar o reino fenomenal para reconectá-lo ao reino transcendente de seu exílio.
-
A atividade mais profunda da espécie é modelada pelo esforço de transformar o universo em pensamento puro voltado para o Real.