A simples existência de uma mitologia em todos os povos demonstra a importância excepcional do primeiro ancestral como fator explicativo, pois o mito está sempre ligado a uma tradição e nunca se apresenta como invenção individual.
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O mito se modifica ao longo dos séculos, mas toda modificação e toda adição se enxertam sobre algum relato anterior pertencente ao patrimônio ancestral.
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Todas as noções que formam a ossatura da inteligência se fundavam originariamente nos mitos, ou seja, nos expostos tradicionais.
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Remontando de geração em geração, chega-se inevitavelmente ao primeiro homem, em quem o fluxo se inaugura pela disparidade entre o estado inicial e o estado de queda.
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As lembranças que Adão e Eva conservaram de sua condição anterior constituem as águas-mãe do grande rio da Tradição e o primeiro anel da grande cadeia.
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Tradição e Tempo andam juntos: sem o desnivelamento entre o estado primeiro e o estado de queda, o funcionamento do espírito humano jamais teria se iniciado.
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Ou o homem teria permanecido um prodigioso super-homem sem necessidade de Tradição, ou teria permanecido na animalidade, possuindo apenas tradição orgânica, isto é, instintos.
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Se o homem tivesse simplesmente partido da animalidade, nela ainda estaria mergulhado, e o cimento intelectual chamado tradição jamais teria tomado consistência.