A onipotência das pedras sagradas, exemplificada pelas pedras quadradas Ergatai de Megalópolis, evoluiu frequentemente para a personificação de divindades autônomas no panteão grego.
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Antigos monólitos neolíticos diferenciaram-se em entidades como as Charites de Orchomène, diversas formas de Zeus, Athena Ergané e o Eros de Thespies.
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A assimilação dessas pedras a personalidades divinas de primeiro escalão demonstra a plenitude de energia divina originalmente nelas depositada.
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Esse processo de particularização em entidades separadas é interpretado como um fenômeno de degenerescência por politeização.
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Certas pedras, como a de Delfos ou as de Panopeus e Tebas, preservaram melhor seu caráter original de receptáculos de mana sem se tornarem deuses específicos.
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A reverência a essas pedras brutas como menires e betilos manifesta a permanência de sua sobre-eminência e ligação com costumes neolíticos.
A percepção da transcendência nos hermai neolíticos estava intrinsecamente ligada ao simbolismo da união sexual e à restauração da indivisão primordial.
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A dificuldade em compreender a visão dos antigos diante de pedras brutas é superada ao se considerar o papel central das cerimônias sexuais e da hierogamia.
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O sagrado contido na pedra era visualizado como a fusão total de dois seres, representando o super-homem neolítico na imagem de um abraço transcendente entre o masculino e o feminino.
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Essa representação essencial do sagrado manifestava-se como a penetração do phallos no kteis, conceito análogo ao linga e yoni na Índia ou ao yab-yum no Tibete.
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No México asteca, o Deus suprêmio Ometecuhtli (Deus dois) sintetizava essa dualidade através de características masculinas e femininas em sua iconografia.
As tradições iniciáticas explicam que a cisão sexual e a fragmentação do cosmos resultaram da queda do super-homem primordial que tentou apropriar-se do ser.
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No estado de indivisão primordial, a multiplicidade de seres possuía um único ser em comum através do dom total e do amor sem reserva.
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A tentativa de apropriação do ser provocou a transição para um nível inferior de conhecimento, onde os seres aparecem como entidades isoladas e separadas.
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A diferenciação sexual é uma faceta da cisão espaço-temporal geral e da transformação da energia radiante em mecanismos sobrepostos.
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A concepção do ser humano original como um super-homem andrógino ou hermafrodita é um tema universal na antiguidade e nos rituais de morte e ressurreição.
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O relato bíblico da formação da mulher a partir do homem reitera a posse comum de um mesmo ser, alinhando-se às altas concepções iniciáticas.