Entre os colaboradores de Allan Kardec, alguns possuíam faculdades mediúnicas diversas, como o médium desenhista cujas produções artísticas, atribuídas a Bernard Palissy e incluindo projetos de moradias em outros planetas, como a de Mozart em Júpiter, foram contempladas em reuniões da sociedade elegante, sendo esse médium identificado como o dramaturgo Victorien Sardou, que integrava o grupo juntamente com Eugène Nus e, posteriormente, o jovem Camille Flammarion.
-
A descrição das atividades de um médium desenhista que, sob a inspiração de Bernard Palissy, executava desenhos de requintado gosto, incluindo a representação da casa de Mozart no planeta Júpiter.
-
A identificação desse médium como o famoso dramaturgo Victorien Sardou, um dos colaboradores mais constantes de Allan Kardec.
-
A menção de Eugène Nus, outro autor dramático do grupo, que mais tarde se afastou parcialmente do espiritismo e aderiu à Sociedade Teosófica.
-
A referência a Camille Flammarion, que, embora tenha ingressado no grupo um pouco mais tarde e por vezes protestado não ser espírita, discursou no enterro de Allan Kardec e suas obras revelam tendências e simpatias espíritas, além de ter sido nomeado membro honorário da Sociedade Teosófica.
-
A questão do baixo nível dos livros espíritas, inclusive os de Allan Kardec, apesar da presença de um elemento intelectual nos meios espíritas, explica-se pelo caráter coletivo dessas obras, que refletem a mentalidade dos elementos mais inferiores do grupo, pela predominância do sentimento sobre a inteligência nos literatos que aderem ao movimento, e pela limitada competência dos cientistas que, fora de sua especialização, não têm opinião mais valiosa que a de qualquer outro.
-
A constatação de que as obras coletivas refletem sobretudo a mentalidade dos elementos mais inferiores do grupo que as produziu, o que explica a banalidade das revelações de além-túmulo.
-
A observação de que os intelectuais do espiritismo são principalmente literatos, nos quais o sentimento predomina sobre a inteligência, sendo o espiritismo uma coisa essencialmente sentimental.
-
A ressalva sobre os cientistas que aderem ao espiritismo, cuja competência é limitada ao seu domínio restrito e cuja opinião fora dele não tem valor especial, além de a intelectualidade propriamente dita ter pouca relação com as qualidades exigidas nas ciências experimentais modernas.
-
As origens do espiritismo francês confirmam a regra de que as comunicações estão em harmonia com as opiniões do meio, pois os primeiros adeptos recrutaram-se sobretudo no meio socialista de 1848, cujas ideias, particularmente a da reencarnação, foram refletidas pelos médiuns e sistematizadas por Allan Kardec, que as conhecia por sua ligação com a Maçonaria e pela leitura de autores como Fourier e Pierre Leroux.
-
A caracterização do meio socialista de 1848 como pseudo-místico, o que explica sua atração natural pelo espiritismo e sua influência na elaboração da doutrina.
-
A filiação de Allan Kardec à Maçonaria e seu contato com chefes de escolas socialistas, donde provieram as ideias expressas em seu grupo, notadamente a reencarnação, influenciada por Fourier e Pierre Leroux.
-
A citação do Dr. Dechambre, que já à época notara a semelhança entre as ideias dos instrutores invisíveis de Kardec e as de Pierre Leroux e Fourier, particularmente quanto à progressão do espírito através de múltiplas existências.
-
A síntese da doutrina na fórmula de Allan Kardec: Nascer, morrer, renascer ainda e progredir sem cessar, e a conclusão de que a constituição da doutrina espírita francesa se deve a homens vivos (Allan Kardec, seus colaboradores e as influências filosóficas de sua época), e não a iniciados, ao contrário do que pode ter ocorrido com o movimento americano.