A diferença na organização entre espíritas e ocultistas explica-se pela recusa dos primeiros a qualquer forma de iniciação ou hierarquia, sendo seu movimento aberto a todos, enquanto os segundos pretendem recomendar-se de uma tradição e organizam-se em sociedades que simulam uma transmissão iniciática, o que, no entanto, não passa de uma caricatura, evidenciada por práticas como as iniciações por correspondência, e o que se lhes reprova não é pretenderem demais, mas não serem efetivamente o que pretendem ser, permanecendo, como os espíritas, no nível de profanos em relação às verdadeiras doutrinas tradicionais.
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A inexistência de qualquer iniciação espírita, devido ao caráter aberto e igualitário do movimento.
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A pretensão ocultista a uma tradição e a uma organização que transmita ensinamentos, embora de forma caricatural, como exemplificam as iniciações por correspondência.
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A posição adotada em relação ao ocultismo: o que se lhe reprova não é ir longe demais, mas não ir suficientemente longe e enganar seus adeptos sobre a qualidade dos conhecimentos que fornece, sendo, tanto quanto os espíritas, profanos em face das verdadeiras doutrinas tradicionais.
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O ocultismo papusiano, diferentemente do de Éliphas Lévi (que era antiespírita e não acreditava na reencarnação), fez diversos empréstimos ao espiritismo, notadamente a teoria da reencarnação, a importância concedida ao papel dos médiums, a concepção do corpo astral (com diferenças em relação ao perispírito), e a ideia do estado de perturbação pós-morte, todos eles de origem espírita e adotados por ocultistas que, em sua maioria, provinham do espiritismo ou do teosofismo.
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A distinção entre o ocultismo de Éliphas Lévi, formalmente antiespírita e não reencarnacionista, e o ocultismo papusiano.
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A identificação da teoria da reencarnação como um empréstimo do espiritismo, transmitido via teosofismo ou diretamente pelos antigos espíritas que aderiram ao ocultismo.
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A influência espírita na importância que o ocultismo concede ao papel dos médiuns e na concepção do corpo astral, que incorpora particularidades do perispírito.
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A origem espírita da doutrina do estado de perturbação após a morte, adotada por Papus, que a expõe em termos idênticos aos dos autores espíritas.
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A referência às doutrinas sobre as consequências das ações através das existências sucessivas (karma), onde os espíritas também reivindicam a prioridade.
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O caráter experimental e fenomênico do ocultismo, aliado à sua preocupação em dar às teorias um aspecto científico e à sua abertura às influências espíritas, levou-o a admitir, em certa medida, a hipótese fundamental do espiritismo, a comunicação com os mortos, ainda que procurasse restringi-la a casos excepcionais ou a certas categorias de espíritos (como os mortos amados), o que é arbitrário e revela as mesmas tendências sentimentais que os ocultistas criticam nos espíritas, evidenciando que a diferença entre ambos é apenas de grau e que o ocultismo, em sua terminologia e concepções, também sucumbe ao materialismo transposto.
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A influência das mentalidades científicas e médicas sobre o ocultismo, levando-o a dar grande importância à experimentação e ao estudo dos fenômenos, o que o aproxima do espiritismo.
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A admissão parcial, por parte do ocultismo, da explicação espírita para os fenômenos, restringindo-a a certos casos, como os de evocação de mortos amados, o que é arbitrário e incoerente.
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A crítica a essa restrição sentimental, que contradiz a pretensão científica do ocultismo e o coloca, no fundo, no mesmo terreno do espiritismo, com uma diferença apenas de grau.
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A evidência do sentimentalismo ocultista em frases que privilegiam a manifestação de entes queridos, e a confirmação de que o ocultismo, em sua terminologia de fluidos e na sua concepção da comunicação, permanece preso ao materialismo transposto herdado dos magnetizadores e espíritas.
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Apesar de algumas tentativas de aproximação, como a afirmação de Papus de que as teorias do espiritismo e do ocultismo são fundamentalmente idênticas, o que é uma exageração política, e de uma certa incompreensão recíproca, há entre os dois movimentos um antagonismo real, agravado pelo fato de os espíritas rejeitarem as explicações adicionais dos ocultistas e de estes, ao incorporarem elementos espíritas, se distanciarem de qualquer pretensão legítima a um verdadeiro esoterismo, embora seja forçoso reconhecer que o ocultismo, por suas preocupações mais amplas, ainda que não muito sólidas, é superior ao espiritismo.
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A referência às tentativas de aproximação dos ocultistas com os espíritas, como no Congresso de 1889, e à atitude de desconfiança destes últimos.
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A afirmação de Papus sobre a identidade fundamental das doutrinas espírita e ocultista, considerada uma exageração de caráter político.
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A persistência de um antagonismo entre os dois movimentos, baseado na recusa espírita das teorias ocultistas sobre outros elementos intervenientes nos fenômenos.
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A conclusão de que, embora o ocultismo seja superior ao espiritismo por suas preocupações menos restritas, essa superioridade é relativa e não lhe confere o direito de se apresentar como expressão de um verdadeiro esoterismo, dada a sua promiscuidade com o espiritismo.