No domínio do ser individual humano, a essência e a substância manifestam-se respectivamente sob os aspectos da qualidade e da quantidade, sendo a qualidade a síntese dos atributos que definem a natureza do ser.
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A qualidade, enquanto conteúdo da essência, pode ser transposta universalmente para além das condições do mundo humano, como ocorre na teologia ao tratar dos atributos de Deus.
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A quantidade é uma condição estritamente ligada ao mundo sensível, sendo inconcebível a sua transposição para o domínio do princípio divino.
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Aristóteles inclui tanto a qualidade quanto a quantidade em suas categorias por considerar apenas as condições imediatas do mundo humano, sem proceder à transposição universal da qualidade.
O aspecto qualitativo da manifestação identifica-se com os arquétipos ou ideias, termos que em Platão representam as essências transcendentes e em Aristóteles as essências imanentes às coisas.
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O termo eidos, utilizado por Aristóteles para designar a espécie, refere-se a uma natureza puramente qualitativa que é independente do número de indivíduos e não sofre variações de grau.
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As ideias de Platão guardam uma filiação direta com os números de Pitágoras, que devem ser entendidos em sentido qualitativo e analógico, e não como números quantitativos ordinários.
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A oposição entre as perspectivas de Platão e Aristóteles é frequentemente exagerada por comentadores sistemáticos, pois ambos tratam do lado essencial e qualitativo da manifestação em níveis distintos.
A quantidade vincula-se ao lado substancial da existência, conforme a máxima de São Tomás de Aquino de que o número reside no lado da matéria, entendendo-se aqui matéria como a substância ou potencialidade pura.
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O conceito escolástico de materia prima é o equivalente de Prakriti na doutrina hindu, representando o polo passivo e puramente potencial da manifestação universal.
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A obscuridade que envolve o termo matéria decorre de sua natureza substancial e foi agravada pelos desvios conceituais da física moderna.
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A análise da relação entre quantidade e substância exige uma investigação sobre os diferentes sentidos do termo matéria, questão que se situa na raiz do estudo da crise do mundo moderno.