O ofício tradicional, como expansão da natureza humana, permite que o trabalho seja o ponto de partida da iniciação, despertando as possibilidades latentes que o ser traz em si mesmo conforme a doutrina da reminiscência de Platão.
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A qualificação iniciática requer que a atividade exterior traduza efetivamente a natureza interior, estabelecendo uma correspondência perfeita entre o conhecedor e a obra produzida.
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O verdadeiro mestre de um ofício realiza o “chefe de obra” quando sua produção é a expressão adequada e consciente de seu princípio interior, unificando a arte e o conhecimento.
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Ao contrário do acúmulo quantitativo de informações do saber profano, o ensino tradicional visa a atualização das potências do Espírito através do suporte da ação.
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O trabalho industrial anula a iniciativa humana e transforma o operário em servo da máquina, reduzindo sua atividade a movimentos mecânicos e repetitivos que despojam o indivíduo de suas qualidades humanas.
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A formação profissional moderna é, em realidade, uma deformação que ensina o homem a agir como um autômato, sem compreensão das razões ou do resultado final da produção.
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A fabricação em série visa à produção de objetos idênticos para homens que se supõe serem todos iguais, consolidando o triunfo da uniformidade e da quantidade pura.
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As moradias modernas, descritas por certos arquitetos como máquinas de habitar, representam o desaparecimento das regras rituais e da ciência da construção em favor de colmeias uniformes.
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O progresso celebrado pela mentalidade contemporânea é, sob a ótica tradicional, um movimento de queda acelerada em direção aos baixos-fundos da manifestação, onde impera a quantidade desprovida de qualidade.
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O ambiente artificial criado pela indústria reflete a cegueira da humanidade atual para com as leis cíclicas e a ordem cósmica.
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A substituição da qualidade pela quantidade no meio de vida e nos objetos de uso cotidiano é o sinal visível da degradação final deste ciclo humano.