A mentalidade moderna manifesta-se por uma tendência à “vulgarização”, isto é, pela pretensão de colocar todo conhecimento “ao alcance de todos”, rebaixando-o ao nível das inteligências inferiores e promovendo um nivelamento por baixo em que a qualidade é sacrificada à quantidade.
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A difusão indiscriminada de instrução uniforme conduz à homogeneização inferiorizante.
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A instrução profana não constitui conhecimento verdadeiro nem contém profundidade real.
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Tal instrução torna-se nociva ao apresentar-se como conhecimento autêntico e ao negar tudo o que a ultrapassa.
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A uniformização moderna implica hostilidade a toda forma de superioridade.
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A tentativa contemporânea de expor doutrinas tradicionais segundo o modelo da instrução profana revela penetração dissolvente do espírito moderno e conduz à deformação dessas doutrinas por simplificação exteriorizante.
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A natureza das doutrinas tradicionais difere essencialmente da “ciência” e da “filosofia” modernas.
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A decadência religiosa no Ocidente e a perda do esoterismo ilustram as consequências dessa penetração.
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A alegação de elevação do “nível médio de cultura” confunde cultura profana com aptidão para o ensino tradicional.
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A suposta elevação média corresponde ao desaparecimento da elite intelectual.
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A referência ao Kali-Yuga contradiz a ideia de que o sistema do Vêdânta possa ser exposto publicamente.
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O “ensino integral” implica dimensão iniciática cada vez menos acessível diante da expansão do espírito profano.
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A justificação da divulgação do Vêdânta com base no desenvolvimento social e político ou na analogia com a publicidade das descobertas científicas exprime confusão radical entre ordem metafísica e ordem profana.
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O desenvolvimento político não possui relação com a compreensão de doutrina metafísica.
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As preocupações políticas no Oriente prejudicam a assimilação das verdades tradicionais.
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A “vida social” moderna apresenta-se como obstáculo à espiritualidade.
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A ciência profana dirige-se ao grande público e permanece na superfície das coisas.
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A assimilação entre descobertas científicas e ensinamentos do Vêdânta ignora o abismo entre espírito tradicional e espírito moderno.
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Toda concessão ao espírito moderno opera em detrimento do espírito tradicional.
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O espírito moderno implica hostilidade ao segredo e à reserva, mas as verdades transcendentais resistem por natureza à vulgarização e permanecem inacessíveis aos não qualificados.
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A compreensão teórica depende da qualificação interior, não da exposição pública.
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A realização efetiva requer organização iniciática regular.
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O verdadeiro segredo reside no inexprimível e intransmissível presente em toda verdade transcendente.
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O segredo exterior possui valor simbólico e disciplinar.
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A incompreensão moderna do mistério gera hostilidade.
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O igualitarismo nega fundamento natural de diferenças e superioridades.
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A pretensão de eliminar todo mistério estende-se até à vida ordinária.
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A tendência a tornar tudo público conduz a formas de existência comparáveis a colmeias humanas, nivelando os indivíduos a condição infra-humana.
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A aversão moderna ao segredo constitui forma de ódio ao que ultrapassa o nível médio e àquilo que escapa à uniformidade imposta, enquanto permanece oculto o segredo maior da sugestão coletiva que moldou a própria mentalidade moderna.
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A tendência à publicidade total representa movimento contínuo ainda não plenamente realizado.
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Mesmo opositores aparentes da democracia partilham o mesmo espírito moderno.
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A mentalidade atual foi produzida por vasta empresa de sugestão que ela própria nega.
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A negação dessa fabricação constitui o meio mais eficaz de manter o segredo de sua origem.