O racionalismo, cuja formulação sistemática remonta a Descartes e à física mecanicista, afirma a supremacia dogmática da razão, nega o supra-individual e exclui a metafísica e a autoridade espiritual.
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O Protestantismo preparou-lhe o caminho pelo “livre exame”.
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A negação da intuição intelectual pura implica rejeição do conhecimento metafísico.
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A recusa da autoridade espiritual decorre de sua origem supra-humana.
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Racionalismo e individualismo apresentam-se como solidários.
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A simplificação moderna elimina primeiro o supra-individual, depois reduz o individual ao sensível e este ao quantitativo.
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Tal processo constitui etapas sucessivas de degradação da concepção do homem e do mundo.
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O cartesianismo introduz nova simplificação ao reduzir o espírito à “pensamento” e o corpo à “extensão”, confundindo razão em ato com racionalidade específica e favorecendo concepções igualitárias e uniformizadoras.
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A redução do corpo à extensão fundamenta a física mecanicista.
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A identificação da razão com “bom senso” universaliza artificialmente uma faculdade desigualmente manifestada.
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A diversidade qualitativa dos indivíduos é ignorada em favor de uma falsa unidade do “espírito humano”.
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A unidade verdadeira não pertence ao domínio individual.
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Locke sustenta que “o homem é sempre e em toda parte o mesmo”, tomando o europeu moderno como medida universal.
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A psicologia moderna projeta indevidamente suas categorias ao passado.
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A uniformização contemporânea atenua diferenças sem jamais suprimi-las.
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Tomar por tipo um ideal “infra-humano” não permite conhecer a natureza humana.
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A ciência exclusivamente quantitativa procede do racionalismo, cuja razão isolada reduz o real a elementos homogêneos e mensuráveis, conforme indicado criticamente por Bergson ao denunciar o “recorte” do real.
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Bergson critica a razão enquanto uso cartesiano restrito, não a inteligência em sentido pleno.
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A redução a elementos homogêneos equivale à redução ao quantitativo.
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O critério científico passa a exigir o que pode ser “numerado”.
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A razão aplicada ao “sólido” tende à materialização das coisas.
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A ciência moderna aproxima-se do grau máximo dessa materialização.
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As teorias de Bergson representam etapa diversa da mesma desviação moderna.
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O racionalismo, ao negar todo princípio superior à razão, isola-a do intelecto transcendente e a conduz à materialidade crescente, culminando no “reino da quantidade”.
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A razão privada de comunicação com o intelecto supra-individual inclina-se ao polo inferior da existência.
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Perde-se progressivamente a ideia de verdade.
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Busca-se apenas a comodidade da compreensão limitada.
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A simplificação e a uniformização satisfazem essa inclinação descendente.
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O processo termina na supremacia absoluta da quantidade.