A solidificação do mundo gera, na ordem humana e social, um estado de mecanização em que tudo é contado, registrado e regulamentado, promovendo uniformização administrativa e tratamento dos indivíduos como unidades numéricas.
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Multiplicação de recenseamentos ligados à primazia das estatísticas.
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Intervenções administrativas crescentes em todas as circunstâncias da vida.
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Administração moderna trata indivíduos como unidades numéricas equivalentes.
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Imposição de medida média uniforme como princípio organizador.
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Rapidez técnica das comunicações contrasta com obstáculos crescentes à livre circulação entre países.
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Vida nômade torna-se inviável pela redução de espaços livres.
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Pressão sistemática para sedentarização dos povos nômades.
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Predominância das cidades como grau máximo de fixação espacial.
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Vitória final de Caim sobre Abel simboliza triunfo da fixidez urbana.
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O simbolismo bíblico de Caim e Abel representa a oposição primordial entre povos sedentários agricultores e povos nômades pastores, cada qual com lei tradicional própria e ritos sacrificiais distintos.
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Caim é agricultor e tipo do povo sedentário.
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Abel é pastor e tipo do povo nômade.
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Caçadores ou pescadores são casos acidentais ou degenerados.
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Povos comerciais ou industriais modernos são igualmente anômalos.
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Ofertas vegetais de Caim e ofertas animais de Abel indicam diferença ritual.
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A Torá hebraica vincula-se ao tipo nômade.
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Narrativa bíblica privilegia perspectiva dos pastores.
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Reprovação de certos ofícios ligados à construção fixa.
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Construção do Templo exigiu artesãos estrangeiros na época de Davi e Salomão.
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A fundação da cidade por Caim marca segunda fase do sedentarismo, intensificando fixidez espacial e expressando relação entre tempo e espaço como princípios compressivo e expansivo.
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Primeira fase é agricultura; segunda é urbanização.
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Povos sedentários produzem obras do tempo e continuidade histórica.
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Povos nômades dispõem de espaço aberto e possibilidades indefinidas.
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Tempo atua como princípio de compressão.
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Espaço atua como princípio de expansão.
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Tempo consome o espaço como força devoradora.
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Absorção progressiva dos nômades pelos sedentários simboliza morte de Abel.
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Atividades e simbolismos diferem conforme condição nômade ou sedentária, refletindo correspondências entre sentidos, espaço e tempo.
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Nômades atuam principalmente sobre o reino animal móvel.
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Sedentários atuam sobre reinos vegetal e mineral fixos.
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Sedentários criam símbolos visuais e esquemas geométricos.
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Nômades utilizam símbolos sonoros compatíveis com migração.
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Visão relaciona-se diretamente com espaço.
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Audição relaciona-se diretamente com tempo.
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Artes plásticas desenvolvem-se entre sedentários.
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Artes fonéticas desenvolvem-se entre nômades.
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Toda arte originária é simbólica e ritual.
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Degeneração moderna transforma arte em jogo profano.
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Complementaridade e antinomia entre tendências compressiva e expansiva asseguram equilíbrio relativo da existência, evocando imagens alquímicas de coagulação e dissolução.
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Trabalhadores do tempo fixam-se no espaço.
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Errantes do espaço modificam-se no tempo.
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Vida segundo tempo fixa e conserva.
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Vida segundo espaço dispersa e transforma.
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Predomínio exclusivo de uma tendência levaria à cristalização ou volatilização.
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Coagulação e solução alquímicas simbolizam essas fases.
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Dualidade remete à oposição essência e substância.
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Céu e Terra correspondem a Purusha e Prakriti.
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O desequilíbrio inicial entre Caim e Abel exige restabelecimento por trocas recíprocas que associem tempo e espaço, fundamento tradicional dos pactos e da distribuição das influências espirituais.
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Sacrifício animal conduz à morte de Abel.
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Oferta vegetal de Caim não é aceita.
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Um é abençoado e morre; outro vive e é amaldiçoado.
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Equilíbrio só se restaura por intercâmbio das produções de ambos.
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Movimento associa tempo e espaço como resultante combinada.
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Movimento é série de desequilíbrios compensados.
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Troca é conjunto de movimentos inversos e compensatórios.
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Intercâmbios podem ocorrer nos domínios espiritual, psíquico e corporal.
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Princípios, símbolos e oferendas formam base dos pactos e alianças.
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Mundo moderno nega esse estado normal tradicional.