O materialismo, forma mais grosseira da solidificação, perde terreno nas teorias científicas e filosóficas, embora persista na mentalidade comum.
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A noção de matéria começa a dissolver-se nas teorias recentes.
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A segurança típica da vida ordinária enfraquece com a aceleração dos acontecimentos.
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A instabilidade torna-se impressão dominante em todos os domínios.
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A solidez implica estabilidade, e a instabilidade generalizada aponta para a dissolução.
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A aceleração do tempo intensifica a dissolução sem alterar a direção descendente do ciclo.
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A rapidez crescente das mudanças conduz espontaneamente a estados mais instáveis.
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As teorias físicas tornam-se mais quantitativas e mais matemáticas.
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Quanto mais “convencionais” e quantitativas, mais se afastam do sensível que pretendem explicar.
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A quantidade pura situa-se abaixo da realidade sensível, não acima dela.
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O sólido, mesmo no máximo de densidade, não se confunde com quantidade pura, pois conserva elementos qualitativos e implica espacialidade.
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A corporeidade supõe espaço, ainda que comprimido.
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O espaço não é assimilável à quantidade pura.
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Mesmo reduzindo corpo a extensão, permanece a quantidade contínua.
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A quantidade discreta, o número, é o modo mais próximo da quantidade pura.
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A passagem ao discreto rompe a condição própria do sólido e do corporal.
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A redução total ao quantitativo tem um limiar em que deixa de produzir solidificação e passa a produzir dissolução.
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Reduzir o contínuo ao discreto conduz à impossibilidade de subsistência dos corpos como tais.
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O mundo corporal resolve-se numa poeira “atômica” sem consistência.
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Essa forma de dissolução pode ser figurada como pulverização.
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A pulverização ainda deixa resíduos, mesmo impalpáveis.
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A dissolução plena do ciclo exige desaparecimento completo do manifestado enquanto tal.
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Por isso, além de pulverização, a dissolução pode ser concebida como volatilização.
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Na consumação do ciclo, os resultados dividem-se em dois destinos complementares: fixação superior e rejeição inferior.
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Os resultados positivos são cristalizados e depois sublimados.
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A cristalização prepara a transmutação em germes do ciclo futuro.
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O que não pode ser utilizado é precipitado como caput mortuum.
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Esse resíduo cai nos prolongamentos mais inferiores do estado individual.
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Trata-se de uma zona sutil infra-corporal.
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Em ambos os casos, há passagem para modalidades extra-corporais.
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Assim, a manifestação corporal do ciclo evapora-se integralmente como tal.
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O duplo par hermético se impõe: coagulação e solução em ambos os lados.
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No lado benéfico: cristalização e sublimação.
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No lado maléfico: precipitação e retorno à indistinção caótica.
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A dissolução não se efetiva apenas pela continuação automática do reino da quantidade; requer intervenção mais diretamente eficaz de influências sutis.
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A intensificação quantitativa descreve uma visão teórica parcial e unilateral.
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Para desfazer os “nós” produzidos pela solidificação é preciso ação extrínseca a esse domínio restrito.
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Esses nós evocam coagulações de ordem mágica.
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A ação decisiva provém de influências sutis já atuantes há muito no mundo moderno.
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Magnetismo e espiritismo ilustram a coexistência precoce desse fator com o materialismo.
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A diminuição do materialismo não constitui melhora, mas passagem de fase.
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As fissuras que se abrem no sistema fechado só podem abrir-se “por baixo”, trazendo interferências do psiquismo cósmico inferior.
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O que interfere no sensível provém do inferior sutil, não do superior.
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Essas influências inferiores são as verdadeiramente aptas a operar a dissolução.
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Favorecer tais interferências corresponde a etapa mais avançada da perdição.
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O materialismo foi um estágio menos avançado, embora parecesse dominante.
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Alguns tradicionalistas celebram erroneamente a saída parcial do materialismo e a abertura às influências sutis, sem julgar sua qualidade.
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Imaginam conciliação futura entre ciência profana e ciência tradicional.
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Tal conciliação é impossível por razões de princípio.
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Confundem ciência tradicional com deformações modernas e pseudo-tradicionais.
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Depositam esperanças na metapsíquica como remédio ao mundo moderno.
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Atribuem os males exclusivamente ao materialismo, erro que encobre a fase seguinte.
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O plano da perdição exige ir além da negação materialista: liberar forças inferiores para consumar a dissolução.
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O materialismo interditou o acesso às possibilidades superiores.
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A negação pura torna-se insuficiente para completar a obra de dissolução.
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O desencadeamento de forças inferiores é o instrumento final do desordenamento.
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Trata-se de desenvolvimento lógico, porém de lógica “diabólica”.
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O materialismo oferece imunidade limitada, pois sua espessura bloqueia influências sutis indistintamente, produzindo sensação de segurança.
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A segurança do materialista provém do fechamento na “concha”.
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A concha é composta por teorias convencionais e hábitos mentais.
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O endurecimento repercute na constituição psico-fisiológica.
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Abrir a concha por baixo permite entrada imediata de influências destrutivas.
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A preparação materialista removeu qualquer proteção superior.
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A fase materialista foi sobretudo preparação teórica.
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A fase do psiquismo inferior constitui pseudo-realização invertida.
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A segurança da vida ordinária revela-se ilusão já ameaçada.
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Substituir essa ilusão por outra é pior se conduz a espiritualidade ao revés.
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Os movimentos neo-espiritualistas são precursores ainda fracos dessa subversão.