O Anticristo, mesmo sob a forma de um personagem determinado, será menos um indivíduo que um símbolo, a síntese de todo o simbolismo invertido da “contra-iniciação”, encarnando a falsidade em seu mais extremo grau, o que se manifesta nas descrições simbólicas de suas deformidades, marcas visíveis de seu desequilíbrio interior e de sua proximidade da desintegração, constituindo a “qualificação” inversa para o cume da “contra-hierarquia”, num “mundo invertido” onde a “contratradição”, artificial e mecânica, feita de “resíduos” animados por uma vontade infernal, se situa nos confins da dissolução.
-
O Anticristo, mesmo como personagem determinado, será menos um indivíduo que um símbolo, a síntese de todo o simbolismo invertido da “contra-iniciação”, encarnando a falsidade em seu mais extremo grau.
-
É por essa extrema oposição ao verdadeiro que ele pode tomar os símbolos do Messias, mas num sentido oposto, sendo a substituição do aspecto benéfico pelo maléfico a sua marca característica.
-
As descrições simbólicas insistem nas dissimetrias corpóreas, marcas visíveis de seu desequilíbrio interior, que são “desqualificações” iniciáticas, mas “qualificações” para a “contra-iniciação”, que vai no sentido de um aumento do desequilíbrio até a desintegração.
-
O Anticristo, com sua individualidade monstruosamente desenvolvida mas quase aniquilada, realiza o inverso do desaparecimento do “eu” diante do “Si”, a confusão no “caos” em vez da fusão na Unidade, situando-se no limite inferior das possibilidades do estado individual.
-
O cume da “contra-hierarquia” é o lugar que lhe cabe nesse “mundo invertido”.
-
Como representante da “contratradição”, o Anticristo é necessariamente disforme, pois é uma caricatura, uma “marca do diabo” que permite, aos “eleitos” ao menos, distingui-la da verdadeira tradição.
-
A “contratradição” terá o caráter “mecânico” das produções do mundo moderno, algo comparável ao automatismo dos “cadáveres psíquicos”, feita de “resíduos” animados artificialmente, nos confins da dissolução.